O FUNDAMENTALISMO SERGIANISTA

A data de hoje, sete de setembro, é emblemática para o nosso país. Muitos brasileiros ainda desconhecem a história do Brasil e a maioria ain...


A data de hoje, sete de setembro, é emblemática para o nosso país. Muitos brasileiros ainda desconhecem a história do Brasil e a maioria ainda desconhece sua própria história. O rei Salomão em seu magnífico Eclesiastes nos ensina que muitos não lembram nem sequer o dia de ontem. O fato é que seja pelas lições de Salomão ou pelas lições da história, sabemos que no fundo o que se luta é por mais independência e menos mortes. Alguns, porém, desprezam o conhecimento, vendem sua liberdade, acorrentam-se em seus líderes político e temem mais do que tudo a independência. O conhecimento pode curar corações de homens violentos como eu (que há anos, provocado frequentemente, não me meto em nenhuma briga). A ignorância é facilmente provocada, por isso se fala geralmente que as brigas são desinteligências. Apesar disso, quando se vai mais a fundo, se percebe que o antagonismo de sabedoria não é estupidez, é o fundamentalismo. E pior do que o fundamentalismo religioso é o fundamentalismo político.

Interpretar de modo literal certas passagens de escrituras tidas como sagradas é o que se entende modernamente como fundamentalismo. Por extensão é possível acrescentar que a obediência excessiva e literal é a fábrica de fundamentalistas. Normalmente, esses fanáticos têm pouco conhecimento, pouco sabem sobre história (e quando sabem é apenas decoreba, não há análise profunda ou em contexto). Eles se apegam em pequenas frases, repetem até que pareçam verdades absolutas e inescapáveis e finalmente, vivem e morrem por elas sem nenhuma possibilidade, ainda que remota, de mudar de opinião.

Perceba, caro leitor, que enquanto buscava descrever um fanático religioso fundamentalista eu descrevi o sergianista com precisão. A diferença básica é que os fundamentalistas da religião aprenderam sobre o deus deles com a cultura transmitida por milhares de anos; enquanto o sergianista fingem manter sua religião intacta para seguir um deus de carne, um político, fraco e demagogo. As ideias desses cidadãos são impossíveis de se compreender porque parecem espasmos. Uma mistura de esquizofrenia ideológica com fanatismo doente. Na cabeça deles reverbera uma deia de progresso, não de futuro, mas presente. Eles acreditam e, pior, bradam sem nenhuma vergonha que nossa cidade está bem administrada, que houve um grande progresso e que somos referências para outros municípios. Se o deus deles diz uma frase, eles tomam isso como verdade (daí o fundamentalismo) e gastam seus pulmões e saliva repetindo “vão perder de novo”, isso é o que dizem, porque quando escrevem essa frase curta, escrevem errado.

“Segue o líder”, “vão perder de novo”, “ai papai”, “é ele de novo”, “é ficha suja, mas não é o único”, “Quem chamou o povo de hiena não foi ela, foi ele”, “denuncismo”.... Isto é, existem as formas de ofensas comuns e a mais utilizada contra os que discordam, por exemplo: “caga pau”. Essa última expressão ofensiva por tentar imputar à quem discorda mais uma comparação com animais; no caso do exemplo em tela: as galinhas (que vivem em poleiros e defecam nos mesmos). A oposição poderia devolver a ofensa com “caga curral” já que se chama o “lidi” de Coroné, e esses coronéis mantém seus súditos bem cercados; como gados presos em currais eleitoreiros. Imaginem o nível de um debate em que um lado chama o outro de galinha e a retribuição do outro lado é chamar o primeiro de vaca. Pobre, vergonhoso, inútil, nojento. Todo curral é cercado, por isso devemos nos livrar desse tipo de comportamento.

Os argumentos da oposição também não andam tão bem, por isso desde já é preciso também se afastar de qualquer sinal de fanatismo. Estamos tentando eleger alguém que possa administrar com impessoalidade e eficiência, e afastar cada vez mais o município do populismo. Partidos separam, isso, inclusive, está na etimologia da palavra “partido”. A grande mudança será imposta pelo comportamento do próprio cidadão porque políticos estarão sempre brigando, ou melhor, estimulando o povo a brigar, pelos seus interesses.

Infelizmente estamos longe demais do cenário ideal. De um lado temos pessoas que querem o município livre de correntes, coronéis, ditadura e anseia por liberdade. Do outro, defensores de uma ideia fixa: o ex-prefeito. Nada mais. Não há dúvida de minha parte que este ano é o ano de saída do ex-prefeito. Não há nenhuma possibilidade de ele continuar dando as cartas por aqui. Os que acumularam condições já perceberam e estão preparando empreendimentos fora para o ano que vem, somente os pequeninos do funcionalismo temporários estão realmente comprando a ideia de que ainda há alguma chance.

O ano de 2020 já deu todos os sinais possíveis de que o mundo jamais será o mesmo depois dele. Nós precisamos também de renovação. Precisamos de ideias novas, ideias maiores e menos mediocridade nos governando. Longe do ideal, mas nunca se afastando da busca incansável por ele. O ideal é o que nos move, a mediocridade é o que nos trava, nos acomoda, nos estaciona. A mediocridade já governou por tempo demais. Os fundamentalistas já provaram sua incompetência. A ignorância já gritou mais alto e por muito tempo. Os chavões, as frases feitas e o repeteco enfadonho das falácias já perdurou por demais. Vamos torcer para que não seja preciso o derramamento de sangue de nenhum panelense, pois o fundamentalismo religioso ou político é o cerne de toda intolerância, injustiça e terror.


Coluna Política // Por Pierre Logan

Advogado, Bacharel em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas. Formado em Filosofia, é licenciado pela Universidade Cruzeiro do Sul, Pós-graduando em Direito Processual Civil pela Escola Paulista de Direito. Filósofo. Membro do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho. 

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