PANELAS ESTÁ MAL REPRESENTADA

 Não é a primeira vez que trato de representação nesta coluna. Em 2016, tratando dos professores e seus direitos frequentemente negados pelo poder público municipal, escrevi “SISMUP: Por uma representação, uni-vos”, em meados do ano passado escrevi “Por uma Panelas melhor”, “Por uma Panelas pior” etc. Numa época remota, quando eu falava praticamente sozinho, os poucos que liam concordavam, mas não se ouvia ecos dessas ideias, porque o silêncio não reverbera. Recentemente Panelas foi atingida por uma onda de enquetes e, independentemente de quem vence ou quem perde, uma coisa fica clara: A população de Panelas não se sente representada.

A TV Panelas fez duas grandes enquetes. A primeira sobre a eleição majoritária e a segunda sobre a opinião popular aprovar ou não o legislativo municipal. O que se nota de início é que desta vez não sou eu sozinho falando, são internautas de vários lugares do município opinando e se manifestando em rede.

No primeiro caso se notou o que sempre foi óbvio: Joelma não representa nem ela mesma, que dirá o povo. Ruben vence em três frentes: recebe os votos de quem está na oposição; de quem rejeita Joelma e de quem não se sente representado por ele, mas prefere ele que mais quatro anos de coronelismo transvestido de democracia (me encaixo nesse último caso), ou seja, tudo indica que o executivo terá mudança.

Já no segundo caso os internautas puderam ser mais precisos. A questão era “Você aprova ou rejeita tal vereador” e não houve piedade popular. Vereadores cuja votação em 2016 ultrapassaram a casa dos 1.200 (mil e duzentos) votos foram rejeitados ao extremo. Oposição e situação ficaram presos no mesmo impasse. Rejeição, rejeição, rejeição e rejeição. O único que saiu bem, mesmo assim não saiu ileso, tendo em vista que há uma considerável rejeição do grupo de situação (de onde ele saiu) foi o atual presidente da Câmara, Genilson Lucena (PSB). Outro vereador que não conseguiu escapar, mas chegou perto, foi Zé Júlio. Único vereador da situação com grande expressão na enquete.

Geralmente nesse tipo de enquete e em algumas pesquisas se olha muito para o político e quase nunca para o eleitor. É estranho pensar que em situações do tipo, raramente o eleitor olha para ele próprio. Vejamos a problemática. Quando determinado político “ganha”, o povo só “ganha” se o determinado político promover políticas públicas para que esse povo possa viver dignamente. Utilizo “Políticas Públicas” aqui para contrastar com “assistencialismo programático” que é utilizado frequentemente como um tipo de plano de governo edil fraudulento. Em outras palavras, política eleitoral não é jogo e por isso se deve sempre repudiar qualquer sinal de torcida organizada.

A visão de que “político tal ganha”, “grupo político tal ganha” é argumento de meia dúzia de incompetentes que querem se agarrar em cargos comissionados e contratos temporários para se encherem de vaidade, manterem seus status e nunca trabalhar de verdade na vida.

Professores reclamam seus direitos e não é de hoje, consequentemente alunos também saem perdendo; famílias são abandonadas e somente lembradas e períodos eleitorais; “caridade” para população carente muitas vezes se mostram mais marketing do que ações sociais, com direito a humilhação em rede social; jovens não têm nem para onde ir e nem como ficar, por isso cada um cria ou busca outro caminho. A cidade peca em desenvolvimento, em incentivo de qualquer natureza e o “ganhar eleição” geralmente tem uma conotação meramente partidária, grupal e restrita. O “ganhar”, na verdade, é “lucrar” e o “lucrar” se resume a vida fácil.

Isso, obviamente, é uma verdade constatada a partir da observação da própria realidade concreta. Basta que cada cidadão panelense faça uma reflexão sobre sua condição e de sua família, se tiver tempo faça também de algum conhecido ou parente; o município te oferece condições de crescimento? Você costuma utilizar todos os serviços públicos básicos em Panelas ou é remetido vez ou outra (ou sempre) para fora do município? Quem você conhece que se deu bem na vida? Se deu bem fora da cidade, dentro dela e se foi dentro dela tem algum vínculo com o poder público ou foi por esforço próprio? No início eu disse que o silêncio não reverbera e disse também que antes eu falava sozinho, porém, hoje não há silêncio e até quem me odeia tenta imitar e dedica “textões”, supostamente, em minha homenagem. Ao lado disso, muitos panelenses gritam em uníssono com a minha voz: “Panelas não aguenta mais quatro anos de coronelismo sergianista!”.  


Coluna Política // Por Pierre Logan
Advogado, Bacharel em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas. Formado em Filosofia, é licenciado pela Universidade Cruzeiro do Sul, Pós-graduando em Direito Processual Civil pela Escola Paulista de Direito. Filósofo. Membro do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho, da comissão de prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil e  Jovem Advocacia de São Paulo. 

Contato: 
movimentoculturaloficial@gmail.com
pierreloganoficial@gmail.com

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