PANELAS: CENSURA, CAUDILHO E VOTO DE CABRESTO

 Johann Goethe (1749 – 1832) foi quem nos ensinou que “ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser”. Ainda que tenha s...

 Johann Goethe (1749 – 1832) foi quem nos ensinou que “ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser”. Ainda que tenha se passado algumas centenas de anos, alguns panelenses não entenderam isso. É a velha história da gaiola de ouro: o indivíduo fica sem liberdade de fazer o que quer ou para se expressar, mas permite-se estar onde está pelos benefícios que aquele local lhe propicia. Daí nasce o termo “gaiola de ouro”. Por um lado parece que alguns conterrâneos se esqueceram que uma prisão confortável continua sendo uma prisão, por outro lado é possível se perguntar se não seria o medo da liberdade, a responsabilidade que ela traz e os desafios atrelados a essa liberdade.

Penso que ninguém vai discordar que em Panelas ainda sobrevivemos em meio a censura do poder público. Não há liberdade plena de expressão, especialmente quando estamos falando de um funcionário da prefeitura. Um dos momentos mais emblemáticos do cerceamento da liberdade de expressão foi naquele episódio em que André Muniz compartilha uma postagem de João Campos (ex-aliado do ex-prefeito de Panelas) falando sobre o auxílio emergencial, e o ex-prefeito prolata a seguinte frase: “Se for para ficar elogiando João Campos apague essa merda, logo, ligeiro (…)”. Em outro momento é dito pelo mesmo cidadão: “Vai apagar esse negócio não, André? Vai não, né? Procure seu caminho, viu seu caba”.

Dentro do mesmo contexto, ele ainda chamou o filho de Eduardo Campos de “imbecil”, como também chamou o Deputado Fernando Rodolfo de “palhaço”. O primeiro porque o funcionário, André Muniz, postou algo que ele não quis, no segundo caso, simplesmente porque o Deputado discordou dele no caso do FUNDEF. É bom lembrar que em nenhuma das situações ele estava como prefeito.

Episódios como esse foram constantes durante um certo tempo, hoje são menos constantes porque o ex-prefeito aprende aos poucos que o tempo dos coronéis está ultrapassado, que ele já não tem mais a “flexibilidade” que tinha e que os bravos voltaram da guerra para casa, estão na sua terra e não se permitam domar. Alguns bons panelenses acordaram, percebem que nosso município perdeu os trilhos do progresso e agora lutam pela retomada do caminho do desenvolvimento.

Claro, que restaria ao desgoverno uma última tentativa, a imputar aos que despertam a pecha de “traidor”, “ingrato” etc., porém, seria impossível para o desgoverno continuar com essa falácia, até porque esteve do lado de Paulo Câmara, João Campos, PSB, e hoje? Seriam traídores e ingratos ou apenas teriam mudado de opinião? É o que conhecemos como falácia do absurdo, ou falácia da falsa dicotomia. Normalmente a falácia está embutida naquela frase ridícula, mas bastante usada por coronéis: “Quem não está conosco está contra nós”.

O cidadão panelense está muito mal representado. O executivo é incompetente e o legislativo ineficiente. A maioria dos eleitos para a Câmara não sabe fazer um requerimento decente, ou se sabe fazer não sabe cobrar uma resposta devida. Raramente um vereador apresenta um projeto e o resto é assistência, mas não é qualquer tipo de assistência; é aquela escandalosa, barulhenta, geralmente exposta ou escancaradas em redes sociais. Algumas mais singelas outras que humilham na mesma medida que ajudam. Precisamos mudar o modelo. Creio que inicialmente a principal linha de pensamento é tirar o Coroné, depois lavamos a rouba suja dentro de casa.  


Coluna Política // Por Pierre Logan
Advogado, Bacharel em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas. Formado em Filosofia, é licenciado pela Universidade Cruzeiro do Sul, Pós-graduando em Direito Processual Civil pela Escola Paulista de Direito. Filósofo. Membro do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho, da comissão de prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil e  Jovem Advocacia de São Paulo. 

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