AS OPERAÇÕES EM QUIPAPÁ, PANELAS E A TRASPARÊNCIA SELETIVA

Muitos foram pegos de surpresa quando estourou a notícia de que na quinta-feira, dia 14 de fevereiro deste ano, a 4ª fase da Operação Gêneses foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado de Pernambuco e Polícia Civil. A mesma surpresa foi estampada na face dos cidadãos quando no dia 15 de fevereiro de 2017 foram impactados pela notícia de que a Polícia Federal tinha deflagrado a Operação Cosa Nostra que investigava várias prefeituras do Agreste pernambucano. Duas grandes operações, a primeira com uma previsão de desvio de 18 milhões e a segunda com 100 milhões em desvios, fraudes etc. Dinheiro dos tributos pagos por cada um de nós, investigados por agentes com salários pagos por cada um de nós, com recursos igualmente adquiridos com nossos impostos, para apresentar um resultado que raramente vem. Hamlet achava que tinha algo podre no reino da Dinamarca, eu acho que está quase tudo podre no agreste pernambucano.

Na Operação Gêneses foram utilizados aproximadamente (pelo jeito nem a polícia sabe quantos foram exatamente) 80 policiais civis e 20 integrantes do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento ao Crime Organizado (Gaeco/MPPE). Foram cumpridos 16 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão nas cidades de Quipapá, Garanhuns, Caruaru e Itaíba e, segundo algumas informações poucos citadas (não sei o motivo) há previsão de que outras prefeituras estão envolvidas, mas, segundo a noticia do MPPE, não foram divulgadas para não atrapalhar as investigações. Ou seja, Panelas poderia estar envolvida nesses esquemas, mas baseado no princípio da transparência seletiva (princípio inconstitucional inventado pelos responsáveis) só vão divulgar quando quiserem. Nós que pagamos toda a conta, tanto dos que investigam quanto dos que são investigados, esperamos que o resultado dessa grandiosa e magnânima operação não acabe como a Operação Cosa Nostra.

A Operação Cosa Nostra começou, coincidentemente no dia 15 de fevereiro de 2017, ou seja, cerca de dois anos antes (observe as datas) da Operação Gêneses, depois que um vereador de Agrestina denunciou um esquema criminoso. O desvio de quase 100 milhões foi realizado por um esquema criminoso que atuava em Agrestina, Panelas, Jurema, Água Preta, Lagoa dos Gatos, Bom Conselho, Jupi, Iati, Riacho das Almas e Angelim. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão. Oito pessoas foram indiciadas pelos crimes de frustração de caráter competitivo de licitação, fraude na contratação, corrupção ativa e passiva, crime de responsabilidade e para obedecer ao princípio da transparência seletiva, nenhum nome desse nunca foi divulgado. Informação que nenhum jornalista (com todo respeito aos verdadeiros jornalistas) nunca fez questão de perguntar.

Eu como bom pagador de tributos, estou começando a cansar de tanta palhaçada. Tanto da postura ousada dos criminosos quanto da falta de ousadia, e incompetência dos investigares. Se estou fazendo uma crítica as policiais e ao Ministério Público? Claro que estou. Eu, quando morava no sítio, sem ensino fundamental completo, já conseguiria descobrir esses esquemas burros. Mas vamos analisar as notícias oficiais e você, caro leitor, saberá as razões dessas minhas críticas.

Na notícia divulgada pela TV MPPE sobre a operação gêneses, o repórter diz que tinham outras cidades envolvidas, mas que para não atrapalhar as investigações não serão divulgadas. Genial! Quer dizer que as cidades envolvidas não sabem que estão envolvidas? É óbvio que os outros criminosos que estão envolvidos com esses crimes em outras cidades já se livraram das provas porque não precisam que seus nomes sejam divulgados para saberem que serão investigados. Ou seja, não dizer o nome dessas outras cidades só esconde a informação de um único interessado: o cidadão. Porque a polícia sabe quem é, os criminosos sabem quem são e o cidadão fica sem saber para ele próprio não atrapalhar as investigações. Santa paciência.

No segundo parágrafo deste texto eu disse que esperava que a operação Gêneses não tivesse o mesmo resultado que a Cosa Nostra e você, caro extorquido com tributos estupráveis, sabe no que deu aquela magnânima operação com milhões em dinheiro público? Eu sei. Em nada. Já cansei de pedir informação, mas pelo jeito nem mesmo eles têm. Alguma coisa aconteceu e ninguém mais noticiou o fato. A polícia que na coletiva tinha tantas certezas não mais tocou no assunto. Os jornalistas investigativos não investigaram e não perguntaram quando tiveram oportunidade. O interessante é passar notícia somente porque se der elementos para o povo raciocinar pode gerar grandes problemas.

Nós, cidadãos estamos votando no escuro. Eu não sei quem eram os envolvidos na operação cosa nostra, não sei quais outras cidades estão sendo investigadas, não sei o nome daqueles que receberam mandados de prisão na cosa nostra (ainda), não sei como a prefeitura de Panelas participava do esquema criminoso, não tive acesso aos autos, e no caso da cosa nostra, acreditem, mas se esforcem para acreditar mesmo porque eu vendo ainda estou tentando crer: a auditoria especial do TCE que apertou o botão inicial do inicio da cosa nostra não tem processo digital. Se eu quiser saber de alguma coisa eu que me desloque, gaste do meu bolso para ir lá ver. Na minha democracia ideal, o cidadão quando tiver que tirar do bolso para fazer o trabalho que algum agente público deveria fazer, deve descontar do salário do próprio agente público. Porque se o cidadão tiver que pagar para, por exemplo, pegar a lista de funcionários da câmara do município das Panelas, ele paga três vezes:1) para ir buscar, 2) pelo salário dos agentes públicos e 3) pelos fantasmas que trabalham lá.

Tudo anda estranho. Muita notícia e pouca informação. Muito estardalhaço e pouco resultado. Muito mandado de prisão e pouca pessoa presa. Muitas investigações que não precisariam nem ser investigadas. Está na cara. Numa cidade do interior ainda, basta passar na rua “x” e ver como os imóveis de alguns agentes públicos dissonam dos imóveis das pessoas comuns para sabem quem está levando a melhor. Ou pior; pergunte a população. Ou pior, e aqui eu estabeleço a deixa, os documentos são públicos e a prefeita atual das Panelas, por exemplo, era da equipe de licitações. Entendeu, autoridade policial e do MP, ou quer que eu desenhe? Eu desenho pessimamente, mas não entendam como ironia se eu o fizer porque é somente isso que está faltando.

Coluna Política // Por Pierre Logan
Advogado, Bacharel em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas. Pós-graduando em Direito Processual Civil pela Escola Paulista de Direito. Filósofo e licenciando em filosofia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Membro do Seminário de Filosofia - Olavo de Carvalho e da Jovem Advocacia de São Paulo. Compositor e intérprete, gravou no final de 2015 o disco Crônicas de Um Mundo Moderno. Atualmente faz parte do Sindicato dos Compositores e intérpretes do Estado de São Paulo, também é comentarista político na Trianon AM 740 e colunista do Jornal SP em notícias. 

Contato: 
movimentoculturaloficial@gmail.com
pierreloganoficial@gmail.com

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