UM PROBLEMA MORAL OU CULTURAL?

As campanhas deste ano foram relevadoras. Para quem entra de coração e tem um posicionamento mais passional pode ser somente questão elei...

As campanhas deste ano foram relevadoras. Para quem entra de coração e tem um posicionamento mais passional pode ser somente questão eleitoral, partidária ou de pontos de vista, no entanto, para quem tem uma postura mais racional, mais analítica ou simplesmente para quem costuma analisar o comportamento humano, foi de fato um período, no mínimo, interessante. No começo não compreendi direito o que me falavam quando me enviavam mensagens indignadas me acusando de “estar do lado do prefeito”. Outros atribuíam a mim o dever de “ser oposição” e outros ainda diziam que eu não poderia jamais ficar do lado da digestão municipal. Foi depois dessas eleições, caros leitores, que percebi que o abismo da falta de educação fica num buraco muito mais embaixo.

Não entenda educação como etiqueta ou como escolarização. Neste texto quero tratar educação no sentido de “musculatura ou estrutura cultural”. Vamos estabelecer um padrão mínimo do que consideramos aceitável para quem sai do ensino médio. Também é importante que não confundamos educação, cultura com inteligência.

Nessa campanha tivemos, majoritariamente, os defensores do Partido dos Trabalhadores, representando o socialismo, a dita “esquerda” e do outro lado os defensores do Bolsonaro (PSL). Não vou dizer que os defensores do Bolsonaro são liberais, especialmente os de Panelas, simplesmente porque muitos nem sabem o que é isso. Escolheram o Bolsonaro para presidência por não concordarem com as linhas defendidas pela esquerda, nem com a concentração do poder, no aparelhamento, na intromissão do Estado na vida privada e principalmente por serem contra a corrupção que foi institucionalizada pelo Governo. Os eleitores panelenses do Bolsonaro são contra a indicação de “amigos” para cargos públicos e a favor da meritocracia, sendo sempre favoráveis também a termos menos Estado. Certo? Errado! Se fossem contra as linhas políticas que aparelham as instituições seriam contra o sergianismo, se fossem favoráveis a meritocracia, estariam lutando ao meu lado por mais concursos públicos, se fossem contra a corrupção seriam contra a corrupção panelense também e não somente contra a petista. Não faz sentido defender as pautas bolsonarianas e as sergianistas ao mesmo tempo obviamente porque são diametralmente opostas. O sergianismo é quase um comunismo. Só não o é porque o comunismo costuma ter intelectuais e alguma bagagem cultural e os sergianistas costumam ser criaturas medíocres e idiotizadas.

Quando publiquei um artigo dizendo que eu votaria no Bolsonaro, imediatamente recebi mensagens dizendo que eu estava traindo a “oposição” (como se eu tivesse algum compromisso com ela) e que não poderia votar no “candidato da situação”. O que muitos ainda não entenderam é que sou um espírito livre. Tanto é que sou a favor das candidaturas independentes e contra qualquer tipo de obrigação a ligação com agremiações partidárias. Não espero a situação panelense tomar um lado para eu escolher o oposto ou mudar o meu. Como, por exemplo, a oposição e a situação de Panelas fizeram.

Bastou o Paulo Câmara apoiar o PT para a oposição panelense abrir as pernas. Passaram quatro anos criticando, acusando, ou no bom e culto popular “descendo a lenha” no governador. O próprio Lula havia dito que não acredita nele. Bastou ele subir num palanque, citar o Lula e apoiar o PT que a oposição correu para os braços daquele que foi responsável pela violência que governou Pernambuco em 2016 e 2017. O mesmo aconteceu com os sergianistas Que tinham Paulo Câmara como um ótimo governador e depois passaram a criticá-lo, dizendo que ele era muito ruim. Os sergianistas demoram um pouco para entender, eu ainda expliquei que não fazia sentido, eles disseram que eu estava errado e depois confessaram que realmente eu estava certo, mas a opinião deles era de que eu estava errado porque o ex-prefeito disse, ou seja, eu estava certo, mas, sergianisticamente, errado. Freud explica!

Os “oposicionistas” são contra a corrupção sergianista, mas favoráveis a petistas. São contra o Moro porque prende bandidos, mas reclamam do Jorge que os deixam por aí. São contra o aparelhamento da prefeitura, mas são a favor do aparelhamento do Governo Federal. São contra a centralização do poder da prefeitura, mas são a favor da concentração do poder Federal.

E eu, o que penso? Penso que Paulo Câmara foi um péssimo governador e será independentemente de se filiar ao PT ou ao PSL. Julgo as pessoas pelo que elas são, não pelos apoios políticos delas. Penso que não posso ter passado 15 anos falando mal do governo e agora querer manter o governo. Penso que não é porque a situação panelense ilogicamente apoia um candidato liberal que eu, que sou liberal desde os 25 anos, vou mudar de posicionamento. Penso que não se pode ser contra a corrupção, levantar a bandeira de um candidato honesto tendo como aliado Sérgio Miranda. Se Bolsonaro representa o novo, o sergianismo representa o velho. Se O PT passou tanto tempo no poder e depois do Lula veio a Dilma, o sergianismo também se instalou no poder e depois de Sérgio veio a Joelma.

Eu tentei explicar as linhas políticas, conversei com quem parecia interessado, mas os questionamentos eram os mais rasos, idiotizados e descerebrados possíveis. Como a conversa não evoluía, perguntei aos meus interlocutores qual a bagagem cultural deles, quais as linhas ideológicas porque me pareciam pensamentos anacrônicos com pouca fundamentação. A resposta pode ser resumida simplesmente com a frase: “é minha opinião”. Eu insistia: “opinião baseada em quê?”. Reposta: “no que eu penso”. Insisti novamente: “Tudo bem, mas pensa segundo o quê?”. Reposta: “segunda nada, é o que penso.” 

Parece prepotência minha, mas não é. O arrogante não perderia um minuto tentando explicar, recomendado leituras e dizendo que as pessoas precisam estudar mais. Me preocupa a situação porque eu só acredito na mudança através do conhecimento. Depois de um coroné, virá outro coroné, e depois outro e sempre será assim enquanto o povo não mostrar quem manda. Por isso abri uma livraria no site do Movimento Cultural com os livros que recomendo. Deixo o link aqui para que acessem e repito: não é prepotência quando digo que não sabem e precisam estudar. Eu leio muito e sei que cada livro aberto é uma prova de humildade. Os humildes sabem que sempre podem aprender mais, os imbecis é que acham que não precisam ler porque já sambem de tudo. A opinião deles, segundo eles mesmos é o eixo sobre o qual repousa toda verdade. E isso pode não ter cura porque não é um problema cultural, é moral.

Link para livraria:

http://movimentoculturaloficial.blogspot.com/p/livraria.html


Coluna Política // Por Pierre Logan

Advogado, Bacharel em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas. Pós-graduando em Direito Processual Civil pela Escola Paulista de Direito. Filósofo e licenciando em filosofia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Membro do Seminário de Filosofia - Olavo de Carvalho e da Jovem Advocacia de São Paulo. Compositor, gravou no final de 2015 o disco Crônicas de Um Mundo Moderno. Atualmente também é comentarista político na Trianon AM 740 e colunista do Jornal SP em notícias. 

Contato: 
movimentoculturaloficial@gmail.com 
pierreloganoficial@gmail.com

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