O FESTIVAL FOI DO JERICO

Eu juro que eu tento não falar, não dar atenção, não perceber que Sérgio Miranda existe, mas, estrategicamente, a ideia dele é justamente não ser esquecido. Sim, diferente dos outros politiqueiros que desaparecem (burramente) e reaparecem (burramente) em pré-campanhas eleitorais, Sérgio Miranda (o coisa) insiste em continuar aparecendo e, mesmo não tendo mais nenhum cargo eletivo (ou qualquer outro, segundo ele), fala no lugar da pseudoprefeita do município. O Ministério Público finge que está tudo em ordem (das licitações, maquinários até contratações de parentes da prefeita) e “assim caminha a humanidade” panelense, hipocritamente aperfeiçoando a habilidade de dizer sim à vergonhosa situação. Mas confesso que, somente dessa vez, Sérgio Miranda esteve no seu merecido e único lugar de direito: representado por um jegue. Explico!

Se o jumento representa o povo trabalhador, que trabalha todos os dias, que sofre e que é chicoteado pelo seu dono até virar carne de charque, “o coisa” foi bem representado montado em cima do povo, sorrindo, descansado e pronto para humilhar o animal (trabalhador) que parecia não entender o que se passava. A pseudoprefeita, logo após a passagem desse jegue disfarçado de Sérgio ou Sérgio disfarçado de jegue (difícil saber), aparentemente tendo um ataque de epilepsia (acreditem, foi pior do que os discursos dela) saltitava e tremia tentando alegrar a multidão hipnotizada pela dança da boneca de ventríloquo. Na estampa da roupa que aquela que representa toda a população panelense, inclusive os que não votaram nela, estava a cara daquele que não é mais prefeito, nem candidato, e agora diz que não é nem político. Sim, “O ícone” era o que estava estampado na camisa do fã clube oficial de Sérgio Miranda. 

Panelas é a típica cidade do interior que ainda, nesta altura do campeonato, apoia político. O pior é que não é somente um político que apoia a reforma da previdência, é um que apoia a reforma da previdência e causou o maior rombo na previdência municipal da história do mundo. O rombo é tão grande que até mesmo ele tem vergonha de dizer quão arrombada o Panelas-PREV está.

O caso é sério. O caso é tão sério que careceria de internação para análise. Pensem bem: desde as manifestações de 2013 (quando o povo não foi as ruas só pelos vinte centavos) a população do Brasil inteiro passou a ter absoluta desconfiança dos políticos de carreira, partidos perderam apoio popular, políticos corruptos foram vaiados em aeroportos, restaurantes, praças públicas etc. Ao som de “o gigante acordou” o congresso inteiro tremia. Prometeram reforma política, redução de tudo que foi coisa, mas não tinha jeito, o povo estava revoltado. Mesmo após as manifestações, os cidadãos do País passaram a se organizar para impedir que politiqueiros fizessem da república a principal mantenedora de seus caprichos familiares. Pesquisas afirmam que no mundo inteiro está assim. Mas, como Panelas ainda não faz parte do mundo, fazem camisetas do político que há vinte anos não trabalha, ficou rico enquanto foi prefeito (faça as contas do salário de prefeito por ano, multiplique quadrienalmente e verá que é impossível ficar rico sendo prefeito e honesto ao mesmo tempo), teve recomendação de rejeição para praticamente todas as contas, fez o maior rombo que já se teve notícias no Panelas-PREV, respondeu a processo criminal por burlar licitações, aprova a reforma da previdência, apoiou o governador que acabou com o pacto pela vida e causou a maior onda de insegurança do Estado de Pernambuco e não vou dizer o resto para não alongar demais meu texto. 

Sejamos coerentes uma coisa é meia dúzia de incautos colocar camiseta com a cara de um politiqueiro e ficar sapateando, passando vergonha em público, e sendo motivo de riso. Outra coisa é a “chefe” do executivo, “prefeita” que representa toda a população (seja os que votaram, seja os que não votaram nela). Eu sei que eu já disse isso, mas se eles podem repetir a mesma mentira mil vezes para ela tornar-se verdade, por que eu não posso repetir a mesma verdade mil vezes para ela tornar-se um clichê?

A culpa, em tese, é do povo. Vou dizer “em tese” porque, curiosamente, nunca vi alguém que prolata o julgamento “a culpa é do próprio povo!” fazendo sua parte. Sempre vi essa turma como reclamadora, improdutiva, inerte; para não dizer inútil. “Se é fácil, Pierre, porque ninguém resolveu ainda?”. Muito simples. Não resolveram ainda porque não quiseram. 

Panelas não está ruim para Fred porque ele não mora nela e nem se importa. Aparece em pré-campanhas para apoiar seu candidato, ganhar o seu e cair fora novamente. Panelas não está ruim para Lourinho porque ele ganha o seu, mora fora, volta nas pré-campanhas para ganhar o seu, apoiando um candidato e cai fora. Panelas não está ruim para Sérgio porque ele manda em Panelas e pega o que quer. Panelas não está ruim para ninguém que se vendeu para situação panelense porque não precisa ser inteligente, honesto, capaz, para conseguir se dar bem. Então, eles conseguem se dar bem sendo tudo o que eles são: não inteligentes, não honestos, não capazes. Ponto. Panelas só está ruim para os que se importam com ela e/ou para aqueles que enxergam a realidade como ela é.

Mas é como diz o velho ditado bíblico: diga quem tu homenageias que eu te direi quem és. Se Panelas escolheu homenagear o maior politiqueiro da história do município, o cara que foi responsável pela seca, pela diminuição da população, do emprego, do desenvolvimento, não sou eu, mero mortal, quem vou julgar, até porque se o festival nacional foi todo de Sérgio Miranda (PSB), então, finalmente, fez jus ao nome. O festival nacional: foi do jerico.

Coluna Política // Por Pierre Logan

Formando em Direito, Licenciando em filosofia, possui formação em Direito Eleitoral, Administrativo, Fundamentos do Direito Público, Ciência Política e Teoria Geral do Estado. Compositor, gravou no final de 2015 o disco Crônicas de Um Mundo Moderno. Atualmente atua na área jurídica e também é colunista do Jornal SP em notícias. Contato: movimentoculturalpanelense@gmail.com ou pierreloganoficial@gmail.com

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