Uma geração sem valor

Publicado em 14/12/2015 | Por Guilherme Amarino (Editor)
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Recentemente indicaram-me o livro Geração de valor. Um livro facílimo de ler e com muitas mensagens de incentivo para pessoas que estão cansadas dos grilhões do emprego fixo que, muitas vezes, nos tira mais do que nos dá. O que chamou minha atenção foi o jeito que o Flávio Augusto da Silva, escritor do livro, trata os políticos. Penso que esse livro tenha muito a nos ensinar sobre nosso próprio comportamento. Penso que tem muito a ensinar para pessoas que tentam incentivar o protagonismo dos jovens e o empreendedorismo. Mas acredito que a principal mensagem seja justamente sobre a liberdade e possibilidade de vencer na vida sem trapacear.

"Seu caminho é somente seu e que a submissão a um grupo de políticos e a liderança são excludentes"
É moda em nossa cidade falar em empreendedorismo e protagonismo do jovem, entretanto, essas palavras são quase sempre acompanhadas de um tipo de mensagem subliminar que diz: “desde que deixe os políticos e seus cavalos em paz”. Ser protagonista em Panelas significa ser líder e senhor de sua própria vida submetendo-se somente as vontades e desígnios do prefeito. O que o referido livro nos mostra é que seu caminho é somente seu e que a submissão a um grupo de políticos e a liderança são excludentes. Você não pode ser um líder se ficar esperando um político picareta dizer o que você pode ou não pode fazer.

Se você quiser ficar na traseira tudo bem, mas lembre-se que quem fica na traseira está sempre sujeito a tomar na traseira. Aprendemos a deixar os políticos guiarem nosso destino. Aprendemos que devemos tratar cada um deles com o máximo respeito, ainda que estejam acabando com nossa vida. Aprendemos que devemos nos submeter, nos ajoelhar e muitas vezes prestar contas a eles. Esquecemos que, na vida real, o que deve ocorrer é o inverso.

"Ninguém precisa respeitar políticos se as ações desses não são dignas de respeito"
Esse é um dos grandes motivos que faz com que os políticos estejam sempre falando mal de mim. Passaram quase vinte anos dizendo que você não pode levantar a voz. Eu cheguei e não só levantei a voz como disse a todos os jovens pelo caminho que não deveriam deixar que políticos levantassem a voz para eles. Querem o “respeito gratuito”. Eu digo que ninguém precisa respeitar políticos se as ações desses não são dignas de respeito. Eles querem que o povo tema políticos, eu quero que políticos temam o povo. Eles querem uma “educação conveniente”.

O prefeito passou vinte anos escravizando a população com contratos que na maioria das vezes parecem correntes que prendem as mãos, os pés e até os pensamentos das pessoas. Hoje, se um jovem tenta se transformar em empreendedor deve ficar calado, votar em quem o prefeito quiser e não se meter em política, pois se o fizer e cometer o erro de não concordar com Sérgio Miranda ele pode fechar seu estabelecimento. Quantas vezes não vimos os “caras da prefeitura” fechando a frente de bares com pedras só porque o dono do local era da oposição? Quantas vezes um indivíduo não deixa de comprar na loja de alguém só porque o prefeito não pode ver o “seu empregado” na loja do cara do outro partido? Pois é, nossa geração aprendeu a dizer um grande sim a tudo isso.

"Se o direito violado é o seu, então a guerra é sua"
Confesso que não sou um empreendedor propriamente dito. Escolhi estudar filosofia, advocacia e desenvolver minhas potencialidades nessa área. Mas se dependesse do prefeito de Panelas eu ainda estaria entregando recados da secretaria de educação para a prefeitura e etc. Tenho orgulho de ter abandonado o “projeto de vida” que o prefeito não tinha para mim e me dedicado ao projeto que eu tinha para mim mesmo. Mas se você for um empreendedor siga o Flávio Augusto e tenha coragem. Tome as rédeas de sua vida. Guie seu próprio destino. Invista nos seus planos. Se precisar bater de frente com qualquer autoridade política do município que seja. Se o direito violado é o seu, então a guerra é sua.

Os políticos de situação ou de oposição costumam falar em empreendedorismo e protagonismo, todavia, nenhum deles apresentou projetos que incentivassem os jovens de forma prática. Mal publicam os editais de licitação para que o pequeno empreendedor possa entrar no certame. Os participantes do certame licitatório são sempre os mesmos. Digamos que você não queira saber de contratar com o poder público e queira simplesmente vender seu produto. Entrará mais uma vez no problema político da pressão. Aceite isso e parta para luta.

Qual a solução? Simples, no sentido de nível de dificuldade e bastante complicado no sentido de mudança de postura. Para começar você não precisa ser necessariamente de oposição se não concordar com o prefeito. Você pode simplesmente seguir sua vida e dedicar-se o máximo que puder ao seu negócio. Você deve se informar e saber quais os políticos que estão trabalhando para facilitar a vida do cidadão, mas não precisa carregar bandeira nenhuma. Você deve dedicar o máximo de tempo a sua carreira. Deve lembrar que a violência urbana, a infraestrutura da cidade, a falta d’água, as festas etc., também contribuem para o sucesso ou fracasso do seu negócio. Isso significa que, além de ser um bom empreendedor, deve se preocupar com quem coloca para administrar a sua cidade, mas como eu disse; não precisa carregar bandeira partidária.

"Se tiver uma coisa que a lei da gravidade nos ensinou é que para cima é bem mais difícil que para baixo. Lute. Antes que façam de nossa geração uma geração sem valor."
O caminho é duro como qualquer caminho certo. Se tiver uma coisa que a lei da gravidade nos ensinou é que para cima é bem mais difícil que para baixo. Não se entregue as bandeiras partidárias. Dedique-se o máximo que puder ao desenvolvimento de suas potencialidades na área que escolheu. Aceite as dificuldades pelo caminho. Não deixe a política completamente de lado, mas carregue consigo os valores éticos que ajudam a buscar uma melhor convivência para o maior grupo possível de pessoas. Lute. Antes que façam de nossa geração uma geração sem valor. E não se esqueça de ler o livro.

Coluna Política // Por Pierre Logan

"DISSERAM MUITAS COISAS PRA ELE. Mas era tudo mentirinha."

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