Até quando, Lourinho?

Publicado em 29/12/2014 | Por Guilherme Amarino (Editor)
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Quosque tandem abutere, catilina, patientia nostra?
A frase em destaque foi dita por Marco Túlio Cícero, no Digesto. A tradução para essa famosa passagem é: Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência? Só estou lembrando isso porque é isso que me dá vontade de gritar quando ouço falar de algumas conversas de Lourinho e da inércia que costuma durar dois anos. Penso que sua capacidade de esperar tudo em casa poderia causar tédio até mesmo em um bicho-preguiça. Mas se você acha que a falta de disposição do “líder” da oposição é o maior problema, então, pare para analisar o que ele defende e verá que a incongruência é maior que a leniência.

Já expliquei em outro artigo que se a eleição presidencial fosse municipal Sérgio seria Dilma e Lourinho seria Aécio. Raciocínio simples: Aécio = oposição (país) + grupo que vem perdendo há décadas... Lourinho = oposição (município) + grupo que vem perdendo há décadas. Dilma = governo atual (país) + grupo que vence e se reelege há décadas. Sérgio = Governo atual (município) + grupo que vence e se reelege há décadas. Logo, Sérgio está para Dilma assim como Lourinho para Aécio. Óbvio que existem outros fatores que convergem e divergem em vários sentidos, mas para compreender esse artigo, isso basta.

Entendendo o raciocínio do parágrafo anterior fica fácil notar que é um contrassenso Lourinho defender o governo Dilma e “atacar” o governo Sérgio. Vou explicar.

Como acusar o atual governo de Panelas de “incompetência”, tendo em vista a situação atual do nosso país? Lembrando que conduziram uma CPI no congresso que tinha umas 900 páginas de relatório, onde afirmavam que “não havia nada de errado na Petrobrás”. Não vamos entrar no quesito corrupção, pois sabemos o que passa.

Mas antes que alguém se levante de sua poltrona confortável para dizer que as obras em Panelas estão atrasadas; é necessário lembrar que no governo defendido pela oposição também não está em dia, nem com as obras, nem com os orçamentos dessas mesmas obras. Não precisamos ir muito longe, pois temos a refinaria Abreu e Lima que tinha o orçamento de 2,5 bilhões de dólares e pode custar oito vezes mais e o pior: sem prazo de entrega, após sete anos de obras. Antes de mencionar as faladas licitações, é necessário lembrar que foram 800 000 contratos assinados pela Petrobrás (sem licitação).

As contas do prefeito foram rejeitadas? Será que ele nunca ouviu falar em superávit primário e no “jeitinho” para não cometer crime de responsabilidade? Claro que sei que tem coisa que o presidente (a) pode fazer que um prefeito não pode, toquei nesse ponto apenas para mostrar como as coisas mudam quando pensamos “globalmente”.

E aí? Como dizer que sente muito pelo sofrimento do povo de Panelas e não sente nenhum pouco pelo do Brasil? Como dizer que o “contrato com a prefeitura é cabresto”, mas que os subsídios do governo para com seus “amigos” e aliados não são?
Quero deixar claro que não é uma crítica ao Partido dos Trabalhadores. Entendo que mesmo com a televisão e os jornais mostrando apenas corrupção, dos dez melhores senadores, três são do PT e entre os dez melhores deputados cinco são petistas e isso mostra que não podemos generalizar. O que estou tentando mostrar é a incongruência de um pensamento que pode estar funcionando na base do “xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”.

Precisamos de uma nova oposição. Precisamos de um novo grupo. Precisamos de um líder que seja líder e não apenas atue como se fosse um. Precisamos nos preocupar com quem vamos eleger para o legislativo e não repetir os erros de antigamente. Precisamos dar o “adeus” que Sérgio merece e o “seja bem vindo” a alguém que mereça. Lourinho já provou que não é digno de nosso voto e, a meu ver, nem de nossa atenção. Talvez esse seja o ultimo artigo que trato ele como uma pessoa politicamente viva. E só faço isso por agradecimento pela esperança, que mesmo falsa, ele me fez ter durante o tempo que acreditei nele.

Se já me perguntei: “Até quando, Lourinho, abusarás de nossa paciência?”. Agora tenho a resposta e ela é triste, dura e verdadeira: Até ontem, pois não queremos mais ter paciência. Queremos ter esperança.

Por Pierre Logan


Até quando, Lourinho, abusarás de nossa paciência?

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