POLÍCIA FEDERAL EM PANELAS; É COSA NOSTRA!

Publicado em 20/02/2017 | Por Pierre Logan (Colunista)
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Pouca gente entendeu, mas existem duas operações policiais acontecendo em Panelas – PE; a operação ‘Cosa Nostra’ e a operação ‘Profissão Perigo’.

COSA NOSTRA

A primeira foi deflagrada pelo Ministério da transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) para desarticular uma organização criminosa que fraudava licitações em vários municípios do agreste pernambucano, inclusive a cidade de Panelas. Como a operação teve início no último dia 15, é possível que Sérgio Miranda (nosso ex-prefeito) seja um dos investigados. Essa operação investiga o desvio de nada menos que 100 milhões de reais e é realizada numa parceria entre a Polícia Federal (PF), o Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A segunda operação é a supracitada ‘Profissão Perigo” que investiga o desvio de verbas da prefeitura de Panelas. Calcula-se que tenham sido desviados cerca de 700 mil. Pronto, agora você está a par do que importa. De um lado uma operação da Polícia Federal que envolve 100 milhões de reais e dez prefeituras incluindo a prefeitura de Panelas, e do outro uma operação da Polícia Civil que envolve quatro pessoas e 700 mil desviados de uma única prefeitura. Adivinhe agora qual foi das duas que a mídia fez o maior escarcéu.

Se você acha que o alarido nunca antes visto na história do agreste foi feito para mostrar o suposto desvio de 700 mil da prefeitura de Panelas, que não teve nenhum político envolvido, você acertou. A Polícia Civil foi criativa ao criar o nome da operação (Profissão Perigo) que ironizava o nome de um dos acusados. Se eu fosse dar um nome para operação eu daria “Operação Cortina de Fumaça”, sugestão de um amigo, ou talvez eu desse o nome de “Operação Boi de Piranha”, criação minha. Cortina de fumaça porque de certa forma essa notícia praticamente foi repetida ao extremo e tomou praticamente todos os espaços das redes sobre a questão “corrupção”, encobrindo a outra operação. Mas eu daria o nome ‘boi de piranha’ porque essa expressão popular designa uma situação onde um bem menor e de pouco valor (700 mil e quatro pessoas comuns) é sacrificado para que em troca outros bens mais valiosos (100 milhões de reais, 10 prefeituras envolvidas, 17 mandados de busca e apreensão, oito suspeitos entre políticos, empresas e funcionários públicos) não sofram dano, pelo menos, na opinião popular.

Provas de que a mídia foi comprada para proporcionar um gigantesco show de pirotecnia eu não tenho. Mas posso apontar evidências que causariam estranheza a qualquer ser humano que tivesse a mínima capacidade de pensar criticamente. Assista todas as reportagens que falam sobre a operação “menorzinha” e repare como todas são muito parecidas. Algumas vezes usam as mesmas frases, os mesmos cacoetes e todas fazem questão de dizer que “o ex-prefeito denunciou blá, blá, blá”... Pegaram armas de ar comprimido (arminhas de pressão) e fizeram parecer um arsenal russo de alto poder de fogo com capacidade de destruição em massa muito próximo de um armamento nuclear (exagerei, mas eles exageraram primeiro).

O que não se pode deixar de notar é que enquanto na operação ‘profissão perigo’ (ou boi de piranha) a mídia fez o maior barulho, na operação ‘COSA NOSTRA’ ela simplesmente fez uma notinha de rodapé e depois sumiu. Por quê? Será que é pelo fato de ter político envolvido? Será que as acusações de “1) frustração de caráter competitivo de licitação, 2) fraude nas contratações, 3) corrupção ativa e passiva, 4) crime de responsabilidade, 5) organização criminosa e 6) lavagem de dinheiro” é menos grave que fraudes em contratações e prestações de serviços? Não estou dizendo que seja certo o que supostamente os acusados de desvio da prefeitura de Panelas fizeram, mas condenar o desvio de 700 mil e praticamente esquecer o de 100 milhões é absurdo até para quem só tem um olho (não foi uma indireta para ex-prefeito nenhum).

Não sei o porquê de tanta ênfase no: “ex-prefeito denunciou”. Parece que querem apontar os holofotes das acusações para alguns garotos e o do heroísmo para um ex-prefeito que briga na justiça para não pagar os direitos dos professores do município. Parece que querem condenar gente “de baixo” para proteger os que estão “em cima”. Parece que o outrora acusado de burlar licitação (isso mesmo: Sérgio Miranda) virou fiscal e pior um fiscal que liga para rádio com alguma autoridade que só existe na cabeça dele e dos que vegetam ao seu lado, para chamar um dos acusados de “cachorro” e falar bobagens sobre assinatura digital demonstrando claramente que além de não saber administrar não entende absolutamente nada do assunto. Falando em assunto, vamos voltar para o que interessa.

Sim, a Policia Federal está investigando diversas prefeituras por diversos crimes e uma das prefeituras que está na mira da PF é Panelas. Sim, é possível que o nosso querido e amado prefeito de fato (ex- de direito) seja um dos investigados e esteja com muito medo de ir em cana. Sim, nossa atual prefeita de direito (nunca de fato) já trabalhou diretamente como responsável pela área das licitações. Sim, o foco foi desviado (propositalmente ou não pouco importa) para outro lado que não fosse o dos “caras do poder”.
 
operações policiais em Panelas-PE
"A culpa é de quem tem a culpa e não de quem leva a culpa"
Para concluir. Quando o ex-presidente da Câmara, Weliton Saraiva, foi acusado de contratar funcionários fantasmas para a Câmara de Vereadores de Panelas você viu a mídia do agreste repercutir tanto? Não! Quando o Ministério Público declarou que as contratações feitas pela prefeitura de Panelas seriam ilegais, a mídia fez essa balbúrdia toda? Não! Quando esse mesmo ex-prefeito teve contas rejeitadas, deixou de aplicar o mínimo exigido pela CF na educação e saúde, quando não repassou os valores do FUNDEB para os professores a imprensa bateu tanto nele?  Não! Então, o que é que há? Não há! Nada há! A culpa é de quem tem a culpa e não de quem leva a culpa. Vamos aguardar porque no final sabemos que a COSA NOSTRA é crime deles.

Coluna Política // Por Pierre Logan

Formando em Direito, Licenciando em filosofia, possui formação em Direito Eleitoral, Administrativo, Fundamentos do Direito Público, Ciência Política e Teoria Geral do Estado. Compositor, gravou no final de 2015 o disco Crônicas de Um Mundo Moderno. Atualmente atua na área jurídica e também é colunista do Jornal SP em notícias. OAB-SP 218968E.

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