ASSALTO AO BANCO DE PANELAS É POUCO

A situação não anda nada complicada. Para ser honesto ela é simples demais. Quando recebi uma mensagem via whatsApp de um amigo às 03h da madruga do dia 04 deste mês, fiquei refletindo sobre o ocorrido. Na verdade, refletia sobre o trecho da mensagem que dizia: “boa parte da população já acordou”. Obviamente sei o que meu colega quis dizer, no entanto, refletia sobre os vários sentidos que poderíamos dar aquela colocação. “Boa parte da população já acordou” – A população de Panelas nunca dormiu tanto e demorará algumas décadas para que saia desse pesadelo.

Coincidência ou não, poucos dias antes de ocorrer tal crime contra uma das instituições financeiras que costumeiramente nos assalta, escrevi um artigo cujo título é “Políticas Públicas e mortes”. Naquele artigo fui bastante claro sobre minha posição no tocante as maneiras que o desgoverno municipal não tem para resolver coisa nenhuma. Nosso município tem o malévolo costume de maquiar o problema, fazendo com que ele não seja jamais resolvido, pois não chegam sequer a colocá-lo em discussão.

Honestamente não sei qual a surpresa. A população foi assaltada durante os últimos anos quase que diariamente por criminosos armados. Lojas foram assaltadas, farmácias foram assaltadas, pessoas foram assaltadas, sequestradas ou tiveram bens furtados etc. Por que somente agora que um banco foi assaltado é que ficaram chocados? Ousadia dos bandidos? Não pode ser. Não há ousadia em assaltar um banco de uma cidade cujo contingente policial não é o suficiente nem para garantir a segurança dos próprios policiais que trabalham em condições desumanas. O governador não move um dedo sequer para diminuir a criminalidade (vide as greves que os policiais fizeram durante o mandato dele). E o nosso excelentíssimo senhor prefeitinho não cobra do governador que ele ajudou a eleger.

Ora, se o governador não faz jus (nunca fez) ao compromisso firmado com aquele representante que nos induz quase sempre a votar no candidato estadual dele, para que diabos devemos ouvir aqueles discursos de que “Devemos votar no candidato que nosso prefeito apoia para que aquele possa ajudar o município”? De que adianta Panelas votar num governador só porque o seu prefeito apoia, sendo que este não tem culhões para exigir do governador o mínimo prometido durante a campanha? Prometeram que a adutora ficaria pronta em dezembro de 2015. Nada. Depois prometeram que ficaria pronta em dezembro deste ano. Até agora nada. São promessas vazias de desgovernantes de uma cidade abandonada.

O povo nunca acordou. Nem com meus gritos de indignação e nem com o barulho dos tiros. Os menos distraídos sentiram a preocupante sensação de insegurança em determinado momento, todavia, respiraram aliviados posteriormente por saber que, pelo menos desta vez, não foi seu dinheiro que foi levado.

É claro que me odeiam porque falo, eles amam somente aqueles que permanecem resignados e dispostos a agir conforme suas ordens. É a tal da servidão voluntária sobre a qual já escrevi outras vezes. O grande problema é que fomos condicionados a odiar os que protestam contra os poderosos e os que assaltam bancos, mas amar os “detentores” do poder que furtam de nossos bolsos quase que diariamente o sagrado pão nosso de cada dia. Eu não preciso recorrer ao direito, filosofia ou mesmo a história para encontrar fundamentações válidas para justificar o que estou dizendo. Posso ir na literatura bíblica e trazer um texto pouco lido pelos líderes e religiosos que dizem não ter medo nem do diabo, mas temem um homem de carne e osso basicamente pelo cargo que ele ocupa. Acham que covardemente de braços cruzados podem adorar alguém que morreu corajosamente de braços abertos.

"Panelas outrora foi conhecida como um lugar para se descansar na velhice. Hoje é impossível descansar numa terra inundada por tiros, falácias políticas e o insuportável silêncio dos intelectuais que perderam a capacidade de pensar"
O desgoverno tem culpa e é cúmplice graças a sua omissão pelo assalto do banco. O desgoverno é autor do crime contra a população que não vislumbra futuro na própria terra e não consegue ver outro caminho que não seja a porta de saída da cidade. Panelas outrora foi conhecida como um lugar para se descansar na velhice. Hoje é impossível descansar numa terra inundada por tiros, falácias políticas e o insuportável silêncio dos intelectuais que perderam a capacidade de pensar. Não lamentemos o assalto ao banco, apenas sejamos gratos pelos assaltantes terem se preocupado em escolher um momento em que as ruas estavam vazias e por nenhum tiro ter atravessado a parede para abraçar a cabeça de alguém. O assalto foi pouco se comparamos ao que pode acontecer numa cidade desprovida de representação, contingente policial suficiente, educação, saúde e todo o resto. Dessa vez não foi seu bolso, sua casa, seu carro que foi levado, caro leitor. Dessa vez você não foi atingido, nem seu filho, nem ninguém que você se importa. O assalto ao banco foi o de menos. Nosso sossego foi levado há tempos pelas armas das palavras, da mentira e da corrupção.

Coluna Política // Por Pierre Logan

Formando em Direito, Licenciando em filosofia, possui formação em Direito Eleitoral, Administrativo, Fundamentos do Direito Público, Ciência Política e Teoria Geral do Estado. Compositor, gravou no final de 2015 o disco Crônicas de Um Mundo Moderno. Atualmente atua na área jurídica e também é colunista do Jornal SP em notícias.

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