OPOSIÇÃO DA OPOSIÇÃO

Este é mais um capítulo triste do recorrente: “como dizer o óbvio”. Há tempos escrevo sobre política de Panelas. Há pouco mais de um ano (portanto, antes das eleições deste ano) escrevi o artigo “oposição: outra derrota anunciada?”.  Foi naquele texto que profetizei (o óbvio) que a oposição estava caminhando para “outra derrota previamente anunciada”. Acertei. Você pode até se juntar aos incautos para dizer que sou um doido, mas seja menos burro pelo menos para confessar que sou um doido que geralmente acerta.
Tinha como errar? Não! Por quê? Simplesmente porque a oposição não é uma oposição de fato, mas meramente figurativa que serve unicamente para dar uma impressão ilusória de que o que existe em Panelas é uma democracia. Quem alega tem que provar. Muito bem, a prova estava na última reunião da Câmara de Vereadores de Panelas. Havia uma multidão de cerca de três pessoas na plateia. Alguma liderança da oposição? Não! Um dos assuntos da pauta: “reeeeeeeeeeeeeeeeparcelamento do ROMBO NO PANELAS PREV. Importante? Não o suficiente para fazer a dita “oposição” se mobilizar. Pense, cidadão, que é por esse tipo de gente que você grita, briga e perde tempo em campanhas eleitorais.
“Mas, Lourinho não ganhou! ” - Dirá alguma pobre alma precipitadamente. A observação é facilmente comprovada, entretanto, ele ainda deve algo às pessoas que confiaram nele e dispuseram de tempo e dinheiro para tentar, inutilmente, elegê-lo. Ora, da mesma maneira que o povo não quer alguém que após ser eleito(a) desapareça, também não quer alguém que; ao não ser eleito, se escafeda. Por vários motivos não queremos esse tipo de coisa. O principal motivo é o esvaziamento do discurso.
"Palavras não podem ser meramente palavras. O significado deve estar ligado ao significante para de fato fazer algum sentido"
O discurso se esvazia quando você enche os ouvidos da plateia de palavras, todavia, não há nenhum significado no que você diz. Palavras não podem ser meramente palavras. O significado deve estar ligado ao significante para de fato fazer algum sentido (Sheila Alves, colunista deste site, explicaria mil vezes melhor que do eu). Repetir, repetir e repetir frases feitas e chavões soam mais como um “não tenho a mínima ideia do que estou falando” do que como um “vote em mim”. Quando você diz que luta, mas ninguém nunca o viu lutando; ou diz que evoluiu, mas a evolução não é algo que se possa contemplar; ou diz que quer o bem de Panelas, mas não faz nada por ela; ou diz que está “visitando” o povo, mas só o faz em campanha eleitoral etc., você só consegue ser descaradamente hipócrita. Um tipo de líder investido do manto da demagogia que reforça ainda mais a aversão que a população sente cada dia mais pela política.
"Palavras reforçam ações. Palavras sem ação é um mero discurso descolado da realidade"
O que a oposição faz com sua incapacidade de perceber o que está explícito é fazer oposição a ela mesma. Isso ocorre porque as palavras perdem o significado quando não tem ação nenhuma da parte de quem as prolata. Palavras reforçam ações. Palavras sem ação é um mero discurso descolado da realidade. Ações sem palavras é epilepsia. Ou acha coincidência Deus ter-nos dado de ouvido o mesmo número de pernas e braços? Necessitamos absorver as palavras que um “líder” (nem que sejamos nós o líder de nós mesmos) e coloca-las em ação. Existe uma necessidade maior em todos nós de nos alimentarmos de comida para o corpo (alimento conquistado pelas ações) e alimento para a alma (as palavras que acalentam nosso espírito). Mas o que temos da oposição: Gritos durante campanhas e silêncio fora delas. Promessas de ano eleitoral e abandono fora deles. Passeatas, músicas, carreatas, palavras escritas, gravadas, faladas, gritadas, cantadas repletas de promessas de ações, não obstante a festa eleitoral, nenhuma ação que se configure como válida. Um vitupério para com uma população chamada de carente há mais de vinte anos pelos mesmos administradores e “oposicionistas” que prometeram tirá-la da miséria.
"Uma oposição protege o governo dele mesmo e a população do governo que escolheu"
Tempo de acordar que se há vinte anos chamávamos uma população de “carente” e hoje ela continua carente; tem algo errado. Falta de um pulso firme governando e de uma oposição ajudando a governar. Porque ao contrário do que muitos pensam uma oposição não serve somente para atrapalhar a situação, mas para evitar abuso de poder. Uma oposição protege o governo dele mesmo e a população do governo que escolheu. Uma oposição tem um papel tão importante quanto o grupo eleito. Ela serve para impulsionar a democracia e frear os desmandos; para isso a oposição precisa conhecer a si mesma, transformar a si mesma, evoluir e então poderá ajudar o povo panelense, mas só quando ela deixar de ser a oposição de si mesma. Ninguém salva outra pessoa de uma queda sem antes achar um ponto de apoio capaz de sustentar os dois.

Coluna Política // Por Pierre Logan


Formado em Direito, Licenciando em filosofia, possui formação em Direito Eleitoral, Administrativo, Fundamentos do Direito Público, Ciência Política e Teoria Geral do Estado. Compositor, gravou no final de 2015 o disco Crônicas de Um Mundo Moderno. Atualmente atua na área jurídica e também é colunista do Jornal SP em notícias.

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