A PREFEITURA COMEÇOU A CONTRATAR

Publicado em 17/10/2016 | Por Pierre Logan (Colunista)
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Vai dizer que não percebeu ainda? Não sejamos inocentes, companheiros (risos), as “famílias” que estão trabalhando na prefeitura são praticamente as mesmas há mais de vinte anos. Comece a citar mentalmente os sobrenomes dos ditos “funcionários competentes” e verá que estou falando a verdade. Só não se esqueça de não dizer isso em voz alta, pois é perigoso criticar a forma carcomida do desgoverno panelense (a ameaça é seletiva, tá?).

Não pense que estou falando da família “A” ou “B” e excluindo a minha. Tem uns bostas aí da minha família também que não vale o ar que respira, vivendo de quatro há mais de uma década (vergonha). Família a gente não escolhe. Sinto-me decepcionado e envergonhado com esses, no entanto, entendo que quem não tem virtude está fadado a viver como escravo e morrer de joelho enquanto implora para ser recontratado, simplesmente porque viveu como um parasita e não tem condições de vencer na vida por sua própria capacidade.

Vão começar com aquela velha ladainha de: “você já trabalhou na prefeitura”, “você está com inveja” blá-blá-blá etc., bem, mesmo quando trabalhava já tinha problemas porque nunca poupei críticas ao desgoverno. O que é uma merda é uma merda e está afundado nela lambendo e dizendo que é chocolate não muda o fato de que é uma merda. Por essa razão abandonei o contrato (por vontade própria ou dignidade mesmo) e vim para São Paulo; nunca me acostumei a viver enjaulado. A questão de inveja não vou nem comentar, já falei que não há o que invejar em marionetes semianalfabetas e sem educação que ganham menos que um estagiário.

Muito bem, em 2014 o diário eletrônico do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco nos disse mais ou menos o seguinte: “parem com os contratos de cabresto, há 14 anos que vocês não fazem concurso público. Tomem vergonha nessa cara feia de vocês e façam o levantamento da necessidade do pessoal para a execução do serviço” – Grifo nosso. Agora que já fiz a parte da esculhambação (porque nem só de argumentos cultos viverá o filósofo), vamos para a lógica maquiavélica do desgoverno de Panelas.

O TCE desconfiou das contratações porque estava patente a necessidade de concurso público e também porque, como falei no primeiro parágrafo, sempre eram as mesmas pessoas que eram contratadas para fazer exatamente a mesma coisa, mas os contratos não são apenas para amarrar o eleitorado no curral da situação. Isso não bastaria. Temos que analisar quem são os majoritariamente contratados temporariamente. Se você analisar bem, verá que são justamente os professores.

Os professores, estando bem presos ao cabresto da dominação, fica fácil porque, uma hora ou outra, alguém vai passar pela sala de aula (mesmo que não aprenda). Se não concorda pode começar a berrar o que quiser, eu estudei em Panelas e perdi a conta de quantas vezes minhas poesias foram censuradas nas “feirinhas” ou “concursos” porque falavam a verdade sobre Vossa Santidade (o prefeito). Curiosamente meus dois únicos escritos que foram apresentados para o público no fundamental e no ensino médio foram justamente o que escrevi um monte de bobagens sobre uma Panelas que não existia mais. Panelas é um tipo de país das maravilhas só com personagens sem graça. Aí quando aparece alguém como eu, a “rainha” sai espalhando pelas reuniões: “cabeças, cabeças eu quero cabeças”.

Desde de cedo a ideia foi fragilizar a educação. Uma cidade com uma educação deficiente não é difícil de ser dominada. Quantas vezes você já viu algum contratado pela prefeitura falando mal do desgoverno? Difícil. Todos intendem, ainda que não admitam, que há uma clausula implícita no contrato com a prefeitura que diz que você não pode criticar o sistema se fizer parte dele. Vocês sabem que essa é a verdade, mas a única verdade é que toda verdade pode ser questionada e a conversa de que Sérgio Miranda é o dono da verdade é a mentira mais contada. E sabemos o que acontece quando uma mentira é repetida muitas vezes.

Em suma, as mesmas pessoas estão “no poder” há décadas. Eles ficam ricos e empobrecem o resto do povo. Sua principal arma é usar o contrato como uma mordaça para deixar a população resignada e entregue a suas necessidades. São parasitas que vivem da desgraça dos trabalhadores. Escolheram a educação para amarrar o maior número de professores possível. Desta forma, os professores não se sentem livres para desenvolver sequer o seu próprio senso crítico, não sendo possível, portanto, desenvolver o senso crítico dos seus alunos. Constrói-se, por fim, uma sociedade onde não se pode discordar, pensar e nem viver, porque viver pela vontade do outro não é viver. Sem liberdade não é possível viver em paz e nem morrer em paz. A prefeitura começou a contratar (se é que pararam um dia) no primeiro dia em que se falou em eleição e todos sabemos que os que imploram pela recontratação são os mesmos que imploram há anos por isso. Não escolheram a posição contratualista se é o que pensam, porque já não pensam e isso faz parte do contrato. Será que vale a pena mesmo?




Coluna Política // Por Pierre Logan

Formando em Direito, Licenciando em filosofia, possui formação em Direito Eleitoral, Administrativo, Fundamentos do Direito Público, Ciência Política e Teoria Geral do Estado. Compositor, gravou no final de 2015 o disco Crônicas de Um Mundo Moderno. Atualmente atua na área jurídica e também é colunista do Jornal SP em notícias.

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