A teimosia de Lourinho

Publicado em 27/06/2016 | Por Pierre Logan (Colunista)
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Gosto de Maquiavel porque ele é pragmático. Em um de seus ensinamentos ele fala sobre as qualidades do que hoje chamamos de líder político. Segundo o pai da ciência política moderna, um líder deve ter a coragem do leão (para assustar ou enfrentar os lobos) e a esperteza da raposa (para reconhecer as armadilhas). Se tiver apenas a coragem e a força do leão, será facilmente enganado e cairá nos "truques" dos lobos (animais/homens com uma infinidade de estratégias de caça). Se for apenas raposa poderá reconhecer as armadilhas, no entanto, não terá força para enfrentar a alcateia. Deste modo, o filósofo italiano, afirma que tanto as qualidades de um leão quanto as de uma raposa devem estar presentes num líder. Como podem notar, Maquiavel não falou sobre as qualidades de papagaio nenhum, penso ser essa uma tarefa minha.

Para começar escolhi a palavra "teimosia" para o título do meu texto porque a palavra "insistência" não cabe ao caso. A primeira refere-se exclusivamente a um tipo de apego cego as próprias ideias. Saiba, prezado leitor, que se buscarmos um sinônimo para tal palavra teríamos "birra", "capricho", "caturrice", "cisma", "pirraça" etc. A palavra "insistência" não se confunde com aquela porque significa ação de não desistir.Gosto de pensar que ela está mais ligada a perseverança, constância ou tenacidade; o que nos leva a acreditar que há um certo grau de inteligência. Coisa de lobo ou de raposa, não de papagaio.

Já vamos para quatro anos que repito a mesma coisa: "Lourinho não serve para liderar". Alguém que teve a quantidade de votos que ele teve na ultima eleição e não faz nada com isso, na verdade, não merece nem tanta atenção. Eu até sugeriria que ele tentasse um cargo no legislativo, mas pensando bem, eu moro em São Paulo atualmente e frequentei a Câmara Municipal mais do que ele nesses últimos anos. Melhor recomendar a aposentadoria porque não temos dinheiro para gastar com madraçaria (já basta o Mica e outros preguiçosos que temos).

Lá vou eu me repetindo e citando Albert Einstein: "insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes". Foi assim que um dos maiores gênios da ciência deu uma "voadora nos peito" do Macunaíma. Depois o doido sou eu. Lourinho repete a mesma "estratégia" desde que eu nasci ou talvez antes (exagero proposital para reforçar meu próximo argumento). Repete as frases. Repete os discursos. Repete os erros. Repete as desculpas. Repete aquela tristeza e promessa de abandonar a política toda vez que perde (não tivemos essa sorte). E de tanto se repetir me obriga a ficar repetindo a mesma coisa quando falo nele.

Por que ainda me dou ao trabalho de falar nesse indivíduo? Porque ele se envolve na questão pública, de modo que não afeta apenas uma parte ou grupo isolado, mas toda sociedade. Se dependesse de mim ele exercitaria ilegalmente sua profissão a vida toda e eu não tocaria em seu nome. Mas ele insiste em mexer com a coisa pública. Decide escrever uma coluna no jornal "A voz dos Cabanos" (lembram?) que curiosamente empacou depois que ele inventou de participar. O jornal não saiu mais. Deve ser tudo culpa da impressora ditadora (a culpa nunca é dele).

Lembram quando escrevi "Lourinho é o Macunaíma"? Então, não demorou muito para que ele confessasse ser um "conhecedor nato", ou seja, nasceu sabendo de todos os problemas de Panelas. Se nasceu sabendo de todos os problemas da cidade e seu nascimento é anterior ao governo de Sérgio Miranda, não seria um absurdo atribuir qualquer problema antigo ao atual prefeito? pois é, Lourinho. Outrora achei que você era um ótimo sujeito e um péssimo político, mas agora começo a achar que pode não haver diferença entre um e outro.

"Os sábios abandona batalhas egoístas e vive para lutar batalhas importantes"
E Rildo? Rildo fez o que qualquer homem faria diante da certeza da imbecilidade alheia. Fez o que venho recomendando em vários artigos anteriores a este. Rildo fez o que os fortes fazem. O que os sábios fazem: abandona batalhas egoístas e vive para lutar batalhas importantes. Quem tem um negócio grande e vitorioso para tocar não perde tempo com mediocridades inclinadas à derrota. Ele teve a astúcia da raposa, a coragem de um leão e abandonou a candidatura como um homem. Rildo foi um político inteligente. Lourinho foi somente Lourinho.

Os insistentes podem ser raposas ou leões, humanos sagazes e corajosos. Os teimosos se repetem, repetem seus erros e consequentemente suas derrotas. De alguma forma é sempre bom fazer comparações para chegarmos a solução de alguns problemas perturbadores: há papagaio que comporte-se como ser humano, se existem humanos que reptem maus costumes de papagaio?



Coluna Política // Por Pierre Logan

Formando em direito na FMU, formação em
Filosofia Geral, Direito Eleitoral, Fundamentos do Direito Público,
Ciência Política e Teoria Geral do Estado.

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