O fator Lourinho

Já ouviu a velha história de que a ordem dos tratores não altera o viaduto? Essa regrinha só serve para multiplicação e para adição, mas como bem sabemos a oposição, de uns tempos para cá, só diminui e se divide. A questão tratada aqui não é a de Lourinho ser sempre o outsider da política panelense. A questão é a ideia que ele tem de que, por alguma determinação divina, ele será o candidato vitalício.

Claramente, ser um candidato vitalício e outsider ao mesmo tempo nos dá uma péssima impressão. Sei que os oposicionistas não me vêm como alguém auspicioso, mas vamos pelo menos assumir que Rildo não anda passando muita confiança. O que sempre me leva a pensar que numa união entre os dois (adição) seja o Macunaíma para vice e Rildo para prefeito ou vice-versa constataríamos que a soma permaneceria a mesma (propriedade comutativa). Gosto de pensar que devemos sempre apostar no novo e que, se Rildo perdesse a campanha deste ano, ganharia a próxima porque já estou enojado com a sensação de que Lourinho perderá para sempre e desconfio até que seja de propósito (psicose minha, imagino).

"Fator é tudo aquilo que influa num resultado"
Afastemo-nos no momento de conjecturas. Façamos uma reflexão baseada em dados concretos e comportamentais. Fator é tudo aquilo que influa num resultado. Pois bem, até onde sei ninguém reuniu o “grupo” da oposição (até porque não existe) para decidir quem seria o candidato da dita majoritária. O que se sabe é que Lourinho reuniu um grupo e disse: “eu sou o candidato!”, isso mesmo “candidato” e não “pré-candidato”. Em outras palavras, caros leitores, ao determinar isso ele não só está sendo antidemocrático, mas determinando já no inicio o fator que pode levar novamente o “grupo” a derrota.

Note que não estou dizendo que Lourinho é o fator que está levando o grupo à derrota, o que estou dizendo é que a postura antidemocrática de não deixar as pessoas escolherem seu líder é o fator que está fazendo isso. Se a escolha da liderança já se inicia com o vício do autoritarismo não há de se falar em “derrota por meios democráticos”. Talvez fosse mais correto falar em derrota por fatores externos a democracia (eufemismo puro).

"O povo precisa do novo nem que seja para ter a tão falada esperança"
Muito bem, algumas pessoas andam me perguntando com mais frequência do que eu verdadeiramente gostaria: “mas e Rildo?”. Penso que ele seja o novo. E penso que o povo precisa do novo nem que seja para ter a tão falada esperança. Não estou dizendo que ele faria um bom trabalho, assim como também não estou dizendo que não o faria. Rildo, em minha opinião (desta vez é opinião mesmo), é um fator novo com o qual o grupo da direção do município não está acostumado. O que quero dizer é que com Lourinho à frente a vitória não acontece, com Rildo pode ser que ela venha a acontecer. Como falei “desta vez é opinião” e como mera opinião pode ser abertamente discutida e é bom que seja.

O fator Lourinho é aquele elemento que pode combalir, enfraquecer ou desalinhar o “grupo”. Não obstante, é um fator necessário e indispensável para o grupo (não como líder, claro). Como já escrevi em outro artigo, pelos números da campanha passada, o grupo que se dividir neste ano perderá. Qualquer um.

É certo que não há hoje no “grupo” de oposição uma pessoa que tenha a postura combativa necessária para alavancar “as coisas”. Não há no “grupo” de oposição alguém com conhecimento teórico (tão necessário quanto o prático) para guiar e “alimentar” o cérebro e o coração das pessoas. Não há no “grupo” de oposição alguém que faça a leitura da situação do ponto de vista cientifico ou estratégico para verificar lacunas, estabelecer um ponto de partida para os agentes durante a campanha. Não há na oposição a presença de nenhum desses fatores e a demora só enfraquece o fator tempo e torna os gastos de campanha mais altos e necessários (o que é ruim para todo mundo).

O problema é antigo e por não ter sido solucionado é mais complicado e, paradoxalmente, cada vez mais moderno, hodierno, atual, contemporâneo (já deu para entender que é urgente). Parece-me claro que a falta de tudo isso se deu pela presença do fator Lourinho. É obrigação do líder (qualquer um) avaliar os riscos e deliberar sobre questões como essa. E se ele se diz líder a culpa é dele.

Vivemos em um mundo onde o líder como qualquer outro deve apresentar resultados
O líder não é líder meramente por ser ovacionado por uma parte do grupo que pensa que vivemos em um mundo que o “eu acredito” tem toda importância. Vivemos em um mundo onde o líder como qualquer outro deve apresentar resultados. Vivemos neste mundo que Sérgio Miranda transformou o sistema político de Panelas no da Itália de 1922 (ano de fundação do fascismo). Vivemos em um mundo onde, se não se souber calcular com o fator Lourinho, o fracasso torna-se inevitável. Já estamos farto do fator Lourinho!

Coluna Política // Por Pierre Logan

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