O ano das inaugurações

Sim! Festeje ó povo sofrido! Aplaudam de pé os senhores que podem ter levado o dinheiro dos seus impostos, mas fizeram questão de deixar um pouco para construir algo que eleja alguém que você ainda não conhece. Lembram-se do “rouba, mas faz”? Será mesmo que isso basta? Será que o soterrado conceito de ética (buscar a melhor convivência possível para todos) ressuscitará no terceiro dia? Duvido. O sinal da luta pelo poder foi acionado e o grupelho que dirige a cidade age pelas docas enquanto a oposição faz tantas reuniões inúteis quanto consegue. O que estão fazendo? Ora, se você conseguir pensar em algum absurdo saiba que independentemente do que seja Panelas tem precedente.

“Não vão mudar o jeito picareta de agir porque sempre deu picaretadamente certo”
Este ano será um ano de inaugurações porque será um ano de eleições. Ponto. Simples assim. Sérgio Miranda pode ter sido o pior administrador que já conheci, li ou ouvi falar (depois da Dilma), mas ele sabe como enganar o povo. Isso é fato. Outra coisa que ele sabe fazer e que é consequência da primeira é ganhar eleições ou fazer seus aliados ganharem eleições. Outro fato indiscutível (Lourinho que o diga). E como eu já disse em outras oportunidades: “não vão mudar o jeito picareta de agir porque sempre deu picaretadamente certo”. Este ano será como qualquer outro ano de picaretagens eleitorais.

Não sou nenhum adivinho ou “gênio da ciência política” como alguns gostam de ironizar. Conheço a história que já se repetiu tantas vezes que dá até preguiça de ver todo esse tergiverso. Sim, queridos leitores, a história nos ensina e nos ajuda a entender a “genética do processo”. Em 2013 não tivemos muitas inaugurações ou grandes festas. Tivemos uma grande seca e um grande festival que não aconteceu. Só. No início de 2014 não tivemos nada, mas como teríamos eleições presidenciais e estaduais depois do segundo semestre maquiaram a praça do centro da cidade, inauguraram e depois fecharam porque a inauguração foi só para inglês ver (e eles nem viram). Depois desse mico tudo voltou a ficar em obras até a segunda ordem.

A segunda ordem ainda não havia sido dada porque o déspota responsável não deu acionamento dos autômatos pois estava de férias. Agora que ele voltou podemos voltar a ser explorados com dignidade pelo sistema podre, ultrapassado, populista, medíocre e sem oposição. As obras estão a mil e vão acelerar, no entanto, depois de prontas, ficarão paradas esperando o melhor momento para servir, não a população, mas os interesses dos que dizem defender os interesses do povo. Seria ainda mais trágico se não fosse tão cômico e não estivessem morrendo de rir da cara da população. Duvido que não estejam.

“Algumas pessoas são simplesmente incapazes de unir atos com palavras. É o que chamamos de 'não viver o que se prega'”
Se você acha que a direção do município não está rindo da cara da população vá para o grupo de Lourinho ou de Rildo. Lá eles não acreditam nessas coisas. E se acreditam não estão agindo como se acreditassem. Agir como quem acredita e falar como quem acredita são coisas bem diferentes. Algumas pessoas são simplesmente incapazes de unir atos com palavras (serve para os dois lados). É o que chamamos de “não viver o que se prega”. Por exemplo, Sérgio Miranda faz um lindo discurso de desenvolvimento, mas posiciona a máquina publica em direção ao desastre e pisa no acelerador. Por outro lado Lourinho Macunaíma faz um discurso de oposicionista ferrenho, mas ninguém consegue dizer um só ato que ele tenha dirigido no sentido de fazer oposição aos mandos e desmandos do atual prefeito. É justamente por causa desse tipo de comportamento que sou contra esta polarização (Lourinho VS quem quer que seja). Penso que deveria haver outros candidatos e que não estejam presos a um dos polos citados. Enquanto não acontece esse milagre continuemos falando das inaugurações.

“Inauguração significa iniciar, implantar ou se apresentar algo pela primeira vez ao público”
Quando falo que gostam de inaugurar coisas em época de campanha não falo só de obras. Falo de alianças, amizades, comportamentos, visitas etc. Estranhou? Pois saiba que inauguração nada mais significa que iniciar, implantar ou se apresentar algo pela primeira vez ao público. Notou que o conceito casa perfeitamente com o que os políticos fazem? Sim, alguns, inclusive, se apresentam pela primeira vez ao público. Outros apresentam pessoas pela primeira vez à cidade. Tem gente que inaugura novas amizades passageiras. Tem político que inaugura (ou inicia) um novo modo de se comportar. Passa a ser prestativo, bom ouvinte, disposto etc. Só não inauguram mesmo a cara de pau, pois ela não é novidade pra ninguém.

A melhor parte de uma inauguração é que você aplaude se quiser. Você pode aprovar ou desaprovar. De modo que ainda há esperança que o povo desaprove esse tipo de comportamento. Em um ano de crise em que mais de 800 milhões sai dos cofres públicos para o fundo partidário, vale apena testar a qualidade das “inaugurações” comportamentais dos candidatos. Será um ano complicado em muitos aspectos, entretanto, os próximos anos serão reflexos das escolhas que fizermos nas urnas de 2016. Inauguremos então uma nova postura.

Coluna Política // Por Pierre Logan

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