A velha e a “nova” oposição

“A mudança de um governo não é a mudança de uma estrutura.”
Os movimentos e estratégias começaram na política municipal com força total? Não! Por quê? A resposta é muito simples: frouxidão moral de grande parte dos políticos de oposição. A maioria chegando agora com a velha e conhecida máscara de salvador. Um modo tácito de chamar o povo de idiota. Uma forma lacônica, sucinta; de dizer que o povo não tem memória. Os discursos mudam um pouco (não muito), mas as ações permanecem as mesmas. A covardia do “não fazer inimigos poderosos” contrasta cegamente com a afirmativa certeira do velho Nietzsche: “Quem não sabe desprezar não sabe respeitar”. A “nova” oposição aparece ostentando um visual que diverge da “antiga”, mas com a mesma forma estúpida de “agir”.

Quando falo de uma patente “forma estúpida de 'agir'” estou me referindo a três coisas: desculpas para justificar uma “não ação”, “educação conveniente” e bipolaridade, ou, se preferir; “burrice argumentativa”. Vou explicar cada uma delas, mas antes de continuar quero deixar claro que não tenho filiação partidária, não sou candidato a absolutamente nada e contribuo com meus impostos e com todas as minhas obrigações de cidadão. Essa é a respostas para os idiotas que perguntam o que já fiz por Panelas.

Para justificar uma não ação alguns usam a pior das piores desculpas possíveis: “ainda está muito longe da campanha”. Ora, o povo só sente fome durante campanha eleitoral? As injustiças só existem quando pessoas decidem se candidatar? Suas ideias, projetos e sonhos não são válidos em outros momentos? Os direitos do cidadão panelense são violados quase que diariamente. A violência já bateu na porta do vice-prefeito, de um dos vereadores e ronda as escolas e as casas de uma forma nunca antes vista em panelas, no entanto, esperam o período eleitoral para se manifestar? Os policiais, maltratados pela administração Estadual (que Sérgio Miranda apoiou), só serão valorizados quando forem chamados para fazer a segurança dos comícios. Há algo de podre na política de Panelas!

Agora vamos para o segundo ponto que é a educação conveniente. Você já deve ter reparado que mesmo quando um político contraria um regimento, nega um direito ou é pego desviando verba, ele sempre exige respeito. Não importa quão desrespeitoso tenha sido com os eleitores, sempre serão “Excelências” e “doutores”. Para eles somos obrigados a respeitar quem não merece; chamam isso de educação. Não importa se suas promessas não tenham sido cumpridas, se suas faltas sejam constantes e se seus discursos sejam pobres, o povo nunca deve questioná-los. Sempre devem aplaudir (eles adoram aplausos). A oposição ficou em silêncio e não promoveu nenhuma ação para questionar as muitas denuncias que fiz ao longo desses meses (mais de um ano, na verdade), mas quando escrevo algo sobre ela sou alvo de críticas e recebo dezenas de e-mails de perguntas como: “de que lado você está?”. O que nos leva ao terceiro ponto.

Bipolaridade ou burrice argumentativa: sabemos que bipolar é aquilo que tem apenas dois polos contrários, como por exemplo: ou Dilma ou Aécio, ou preto ou branco, ou oposição ou situação, ou Sérgio ou Lourinho, ou esquerda ou direita etc. Como se fossemos obrigados a escolher previamente um lado independentemente de seus projetos e suas ideias. Muitos já começam a dizer que “está com fulano” ou com “beltrano” sem se quer perguntar o que essas pessoas planejam para o futuro de nossa cidade. Apenas estão com um porque não estão com o outro. Isso é lamentável. Os melhores fiscais dos políticos não são os técnicos do TCE, TCU etc., mas sim, o povo. Por isso o mais recomendável é que adotemos mais uma vez o voto secreto (sem colar cartazes ou hastear bandeiras em nossas casas) e que sejamos imparciais. Partido político não é time de futebol e eleição não é final de campeonato.

"Devemos agir com o máximo de desconfiança possível para com todos os políticos independentemente de partido ou de 'situação' e 'oposição'."
Devemos agir como verdadeiros fiscais, patrões ou críticos. Devemos agir com o máximo de desconfiança possível para com todos os políticos independentemente de partido ou de “situação” e “oposição”. Defendo a ideia de que não confiemos cegamente em alguém (novo ou antigo) sem um histórico prévio de luta e desconfiemos sempre dos que fazem mais propagandas e patrocinam mais festas do que frequentam a Câmara Municipal. Defendo a ideia de que nenhum cidadão deve colar cartazes em sua casa para que, dessa forma, possamos impedir o uso do cabresto e fazer o uso do direito constitucional de não dizer a ninguém em quem vamos votar. Defendo a ideia de que todos podem visitar os comícios dos dois lados para analisar os discursos, anotar promessas e escolher de modo consciente um candidato. Defendo a ideia de que a única camisa que se vale apena vestir é a do desenvolvimento cultural, econômico e social de nosso município e essa camisa não tem cor, não tem número e é manchada todos os dias com o suor e o sangue do povo panelense.

"A pior espécie de ignorância é cuidar uma pessoa saber o que não sabe... Tal o teu caso. Entraste pela política, antes de a teres estudado." (Sócrates).
Você deve estar se perguntando os motivos que fazem com que os políticos da “nova” e da “velha” oposição, ou mesmo da “nova” e da “velha” situação de Panelas tenham discursos tão pobres, sejam quase vazios de ideias e quase nunca mostram projetos. Você deve estar cansado das campanhas que muitas vezes torram mais dinheiro do que o necessário para construir e manter um hospital por meses ou anos. Não há novidade em nada do que estou falando, Sócrates já havia dado a resposta há quase quatrocentos anos antes de Cristo: “A pior espécie de ignorância é cuidar uma pessoa saber o que não sabe... Tal o teu caso. Entraste pela política, antes de a teres estudado”.

Uma coisa deve ser repetida com muita frequência porque é preferível a redundância que o esquecimento: todos os políticos (situação ou oposição) deveriam ser o que tentam aparentar, pois se isso acontecesse teríamos uma cidade digna do cidadão panelense e poderemos buscar um futuro melhor para todos. Necessitamos de uma oposição genuinamente nova, que observe os erros da antiga e que não volte a cometer os mesmos erros. Lembro que a mudança de um governo não é a mudança de uma estrutura.

Por Pierre Logan

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