DISCURSO: Novo Governador de Pernambuco Paulo Câmara toma posse

Publicado em 02/01/2015 | Da Redação do Panelaspernambuco.com
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Paulo Câmara toma posse na Assembleia Legislativa (Alepe) como o novo Governador de Pernambuco. No discurso de posse relembra o padrinho político Eduardo Campos, fala dos desafios que enfrentará e convoca a população para não desistir de Pernambuco.

Confira na integra o pronunciamento do Governador Paulo Câmara, na solenidade de posse na Assembleia Legislativa de Pernambuco, em 1º de janeiro de 2015:

Cumprimento o Deputado Estadual Guilherme Uchôa, Presidente dessa Casa. Tenho a certeza de que receberei de Vossa Excelência, e de seus ilustres Pares, o permanente apoio na defesa dos interesses do Estado, em consonância com a tradição centenária do Poder Legislativo de Pernambuco.

Investido da alta honra de governar Pernambuco, por decisão democrática dos pernambucanos, as minhas primeiras palavras são para expressar profunda gratidão.

Gratidão aos que, com seu voto, depositaram em mim; no Vice-Governador Raul Henry; no Senador Fernando Bezerra Coelho e nos deputados federais e estaduais da Frente Popular a confiança de que seremos capazes de dar continuidade ao processo de desenvolvimento do Estado. Estamos conscientes dessa responsabilidade e determinados a cumprir todos os nossos compromissos.

Gratidão aos militantes da ampla coligação partidária que nos elegeu e ao Governador João Lyra Neto, ao Prefeito Geraldo Júlio e ao Senador Jarbas Vasconcelos, presentes em todos os momentos de uma campanha memorável. A experiência administrativa do Governador João Lyra Neto, nos nove meses finais de uma gestão de oito anos, foi valiosa para a preservação de realizações que construímos juntos desde 2007.

Minha especial gratidão ao Governador Eduardo Campos, aqui representado por Renata Campos e seus filhos. Eduardo nos deixou no auge de sua força política. Estava pronto para ser personagem influente no Brasil por muito tempo, confirmando-se como ponto de convergência das esperanças dos brasileiros. A ele, nesse momento, a nossa maior homenagem.

É inegável o legado de seu governo. Pernambuco tornou-se um lugar melhor para se viver: renovou-se a autoestima coletiva; revitalizou-se a atividade econômica; reduziu-se a desigualdade social. Os pernambucanos reconheceram tais conquistas e, democraticamente, escolheram os candidatos apoiados por Eduardo para continuar o seu trabalho à frente da administração estadual.

Avançar, a partir dessa base sólida é, agora, a nossa mais importante missão. Avançaremos ombreados ao Poder Legislativo, ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, e ao Tribunal de Contas, por caminhos abertos pelo diálogo e fiscalizados pelo povo. Povo que, a cada dia, nos dá lições de coragem, de solidariedade e de esperança.

Governaremos com diálogo, transparência, coesão política, equilíbrio fiscal dinâmico, eficiência e agilidade; com visão integrada dos problemas e de suas soluções.

Formamos um governo orientado pelo ideário e pelos compromissos das forças progressistas de Pernambuco e do Brasil. Isso significa dizer, em sua essencialidade, que trabalharemos com o olhar voltado para os que mais necessitam dos serviços públicos, que são a grande maioria da população.

Encontra-se Pernambuco em um novo contexto. Estamos consolidando a primeira fase de atração de grandes empreendimentos estruturadores nas áreas petroquímica, automobilística e naval, que redefiniram a economia estadual. E se inicia outra etapa, em que se vai colher os frutos desse grande esforço coletivo inicial e, com os recursos gerados, priorizar novas escolhas.

Há necessidade de mais investimentos em educação, saúde, segurança, mobilidade, meio ambiente, agricultura familiar e abastecimento d’água. Permanece a carência de melhor articulação dos novos empreendimentos industriais com a base industrial pré-existente e com a nova etapa da economia do conhecimento e da inovação. Ainda faltam alternativas modernas para a antiga base rural canavieira, algodoeira e para a pecuária. É necessário transformar o potencial criativo da cultura em economia criativa. São áreas essenciais, a serem administradas de acordo com as propostas do Programa de Governo da Frente Popular, de conhecimento público.

Ao fazer referência à Cultura, presto a minha homenagem à memória de três grandes artistas – Ariano Suassuna, Abelardo da Hora e Gilvan Samico – que por meio do teatro, da literatura, da escultura e da gravura elevaram o nome de Pernambuco no Brasil e no mundo.

No entanto, tão importante quanto ações de curto e médio prazos, antes citadas, é o aprofundamento de uma visão de longo prazo da gestão. Trata-se de decisão fundamental para consolidar o positivo legado que recebemos. Remonta a meados do século passado a tradição de Pernambuco em planejamento, com os estudos do jesuíta francês Louis-Joseph Lebret, em 1954. Suas conclusões, entre outras, apontavam para a necessidade de se construir um ponto industrial ao Sul do Recife, o que veio a ser o Complexo Portuário e Industrial de Suape.

Obra matricial de duas gerações, executada por sucessivos governos, Suape transformou-se na principal alavanca do desenvolvimento industrial do Estado, exemplo expressivo do valor do planejamento a longo prazo e da continuidade administrativa.

Contemporâneo do Padre Lebret, militante socialista e por três vezes Prefeito do Recife, o engenheiro Pelópidas da Silveira foi também um destacado formulador e executor do planejamento no setor público. Suas diretrizes urbanísticas para a capital fizeram com que o Recife ocupasse, desde a metade do século 20, papel importante entre as metrópoles brasileiras.

Assim como Suape, o Porto Digital é exemplo de, esforço integrado e contínuo de vários anos, reunindo pesquisadores, acadêmicos e o poder público, polo que colocou o Estado no mapa mundial da inovação tecnológica. Em suas empresas, de portes variados, formam-se e empreendem profissionais de áreas de vanguarda, reforçando a posição de Pernambuco como gerador de conhecimento no Nordeste e no País.

Igual potencial há no polo de hemoderivados que começa a se formar a partir da instalação, da fábrica da Hemobras. Um passo importante para Pernambuco se incluir em pesquisas de ponta em áreas de biotecnologia, envolvendo a universidade e setores empresariais da nova economia.

O adensamento de outros polos, que envolvem segmentos mais tradicionais – como o naval, o petroquímico, o de bebidas, o de confecções e o de serviços – deverá também acontecer de forma inovadora, com a permanente parceria entre o Governo do Estado e o setor privado.

É o caso da implantação, no prazo de dez anos, de um polo de educação e conhecimento automotivo, de referência mundial, para o desenvolvimento de projetos de pesquisa e desenvolvimento. Articulado ao polo automobilístico localizado em Goiana e ao Porto Digital, o novo polo formará engenheiros e técnicos em mecânica, mecatrônica e logística, como resultado de esforço comum do Setor Público do Estado, instituições de ensino e setor privado.

Dessa forma, sem descuidar da realidade que todos os dias bate à nossa porta, terei, como Governador, firme compromisso com as perspectivas que o planejamento de longo prazo sinaliza, em sua visão de futuro. Iremos apoiar a execução do Plano Estratégico de Desenvolvimento de Longo Prazo Pernambuco 2035, em elaboração por especialistas em diversas áreas, e iniciado no Governo de Eduardo Campos.

Pretendemos que o plano se consolide como uma ferramenta de gestão que ultrapasse os limites temporais dos governos nos próximos vinte anos, reafirmando a liderança do Estado na inovação da gestão pública. A continuidade desse êxito dependerá, como até agora ocorreu, do engajamento dos trabalhadores e dos empresários, que tenho certeza mais uma vez responderão afirmativamente.

O Pernambuco 2035 deverá se ajustar à retomada do planejamento regional do Nordeste, tarefa a ser dividida entre os governos estaduais da região e o Governo Federal, na tentativa de articular projetos de interesse da população nordestina. Já foi muitas vezes dito, mas continua a valer a repetição: o Nordeste já não é mais problema, e sim, é parte da solução de questões de fundo do Brasil. Com planejamento, como ocorreu em décadas passadas – especialmente sob a liderança de Celso Furtado – a região superará obstáculos, reduzindo-se a desigualdade que desequilibra o País.

Disso têm plena consciência os governadores nordestinos eleitos e reeleitos em outubro passado. Não basta a região registrar expansão econômica maior do que a do País como ocorrerá este ano. Reunidos em João Pessoa, capital da Paraíba, em 9 de dezembro, os novos governadores requerem a sustentação de políticas de financiamento e um conjunto de ações mais robustas para as áreas de saúde, segurança e educação, dependentes de iniciativas do Governo Federal e do Congresso Nacional.

Participei da reunião, que marcou a recriação do Fórum dos Governadores do Nordeste, e atesto a determinação de todos os presentes em mobilizar-se para o enfrentamento da miséria, da insegurança e do desemprego. Como também para reivindicar mais investimentos em infraestrutura e logística, especialmente quanto a projetos que aguardam conclusão.

É o caso da Ferrovia Transnordestina; da Transposição do Rio São Francisco; da ampliação de perímetros de irrigação, de portos, aeroportos e rodovias. Nesse setor, merecerá especial atenção do Governo de Pernambuco a construção do Anel Viário Metropolitano, ordenando o tráfego de carga pesada na BR-101 Norte e Sul.
Pernambucanas e pernambucanos:

Tenho consciência da dimensão dos desafios econômicos em que foi lançado o Brasil. Estou disposto a contribuir, no que me couber, para que o País supere o risco de recessão aliada a volta da inflação. Como defendeu o Governador Eduardo Campos, é necessário fundar um pacto político, econômico e social que nos permita vencer a crise e buscar novos caminhos. Os brasileiros consensuaram pactos para derrotar o regime autoritário; extinguir a hiperinflação e estabilizar a moeda. A melhor distribuição da riqueza entre os mais pobres igualmente decorreu de um pacto.

Contudo, agora a Nação reivindica mais do que equilíbrio econômico e uma divisão de renda justa. A nova agenda destaca, desde já, o aprofundamento das relações democráticas; a transparência das contas públicas; o desenvolvimento sustentável; massivos investimentos na saúde, educação, inovação e cultura e um novo urbanismo, voltado para o renascimento das grandes e médias cidades, com destaque para a mobilidade e o combate à violência. São pontos que terão prioridade na nossa administração, juntamente com uma política de desenvolvimento social inclusiva e que chegue a todos os pernambucanos.

Para tanto, não bastam formulações de equipes econômicas, por mais iluminadas que sejam. A realização desses grandes objetivos ultrapassa a vontade de um grupo de pessoas ou de um conjunto de partidos. Será resultado da reflexão e da mobilização dos brasileiros, onde quer que possam fazer ouvir suas vozes.

É a voz da Política, com um pê maiúsculo. E nunca o País necessitou tanto da Política quanto agora. É a urgência do diálogo. E nunca o País requereu tanto o saber ouvir e o saber falar com franqueza e lealdade.

Como, a não ser em torno de um amplo pacto político, econômico e social, será possível criar condições para o Brasil voltar a crescer? Como aumentar os investimentos públicos, sobretudo em infraestrutura? Como fazer a inflação recuar? Como reduzir a dívida pública? Como impedir que o ajuste fiscal não atinja o emprego? É nossa obrigação encontrar consensos que nos permitam compreender e vencer a conjuntura adversa que se anuncia.

Vossas Excelências são testemunhas de que Pernambuco nunca faltou ao Brasil em tempos difíceis como o que vivemos. O ambiente de acerto de contas precisa ser substituído pelo ambiente de cooperação em benefício da Nação, sem que para isso ninguém deva abrir mão de seus princípios ideológicos e pessoais.

Estaremos todos nós – mulheres e homens de boa vontade – engajados nesse grande esforço. Ele convoca a todos, de todas as classes sociais, formações culturais e crenças religiosas.

Nele, é imprescindível a participação dos servidores públicos, sem a qual arrisca-se a continuidade das mudanças e das conquistas. Por toda minha vida profissional fui servidor público. Considero o cargo de Governador do Estado um dos mais elevados no serviço público. Quero honrá-lo, em favor de Pernambuco, com o permanente apoio dos servidores estaduais.

Ao concluir, volto às palavras iniciais para agradecer a Ana Luíza, minha querida esposa, às nossas filhas Clara e Helena, aos meus pais, irmãos, parentes e amigos, aqui presentes. Conto com todos – como sempre contei – para a nova vida, que começa a partir de hoje.

Sempre oportuno registrar também, os agradecimentos a quem não está mais entre nós, mas que sempre permanecerão juntos a nós, com seus ensinamentos, com seus ideais, com seus sonhos e com seus valiosos legados. Dr Miguel Arraes, Eduardo Campos, Ariano Suassuna, Pompeia Campos, Fernando Correia, entre outros, vocês são referências que não podem ser esquecidas e não serão, são exemplos incansáveis na luta pela justiça, igualdade e solidariedade.

Agradeço aos que, de alguma forma, estenderam a sua mão, nos bons e maus momentos de uma campanha em que pelejamos juntos. Nela costumava encerrar os discursos conclamando ao trabalho, ao coração e à vitória. Já vencemos. Agora o nosso dever é manter a unidade e o empenho que nos impulsionaram até aqui e trabalhar, dia e noite, sintonizados com o sentimento e os sonhos do povo pernambucano.

Temos muito a fazer e sei que não são poucas as dificuldades. Não as temo, porque sei que contarei com o apoio dos que querem o bem de Pernambuco, herdeiros de uma tradição de lutas libertárias, que nunca hesitaram em defender suas convicções.

Como ensinava o Governador Miguel Arraes, faremos o que for possível; o impossível o povo nos ensinará como fazer. “Não vamos desistir do Brasil” foi a última frase que nos deixou Eduardo Campos. Não vamos desistir de Pernambuco – é a minha convocação.

2014 foi o ano mais intenso da minha vida. Experimentei, a um só tempo, a contradição extrema da morte inesperada e a responsabilidade em conduzir a vida de uma esperança tão bem plantada entre nós. Quando tudo parecia chegar ao fim, eu descobri pelas estradas de Pernambuco, nas ruas e praças do nosso estado, a força indestrutível da nossa gente guerreira. Cada olhar de confiança e cada abraço de solidariedade que recebi, acenderam no meu coração uma grande verdade: com o amor do povo e a fé em Deus, será possível superar toda a dor e construir o novo tempo de um tempo novo que a saudade nos deixou.

Muito obrigado.
Foto reprodução do NE10.
O novo governador de Pernambuco, Paulo Câmara, na Praça da República, diante de um público reduzido, repetiu parte do discurso de posse feito na Alepe. “Doutor Arraes nos ensinou: o possível a gente faz; o impossível o povo vai nos ensinar a fazer. Eduardo campos, nas suas últimas palavras, naquela entrevista do Jornal Nacional, pediu para não desistirmos do Brasil. E eu digo para cada um de vocês: não vamos desistir de Pernambuco. Isso é uma convocação”, repetiu.

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