A cidade e os cinco macacos

Publicado em 01/12/2014 | Da Redação do Panelaspernambuco.com
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"Não se preocupam mais em entender a opinião do outro, contentam-se em odia-la"
É muito comum entrarmos em discussões políticas com pessoas que conhecemos, muitas vezes com quem mal conhecemos. Na verdade é comum discutir com qualquer um sobre diferentes assuntos, principalmente política, futebol e religião. Você já deve ter percebido que, de uns tempos para cá, qualquer discussão e por menor que seja ela, sempre virá com uma carga histórica. Um exemplo simples foram os debates partidários dos militantes das redes sociais.

Foi muito comum brigas e argumentos do tipo: “Mais na década de noventa...”, “As privatizações...”, “O Lula fazia...”, “A Dilma era guerrilheira e...”, “O Aécio bateu em...”. Enfim, sempre justificavam sua escolha presente baseados em um evento passado. Na cidade de Panelas isso não é diferente e podemos verificar esse tipo de “justificativa” em vários momentos, mesmo fora de campanha eleitoral.

O ultimo artigo dessa coluna gerou comentários apaixonados, nas redes sociais e em meu e-mail pessoal de pessoas que diziam que o atual gestor era o melhor, nenhum nunca tinha feito tantas obras, trazido tantos benefícios e colocado a cidade “pra frente”. Teve gente, inclusive, que atribuiu a Sérgio a chegada do celular em Panelas, quando os “não muito jovens” sabem que o mérito dessa “evolução” na comunicação do município é de Fred e não de Sérgio. Olhando mais de perto você começa a procurar nos perfis do facebook a idade dessas pessoas e descobre que algumas têm 11, 12, 13 ou, quando muito, 16 anos de idade.

Interpele algumas pessoas sobre, por exemplo, o nome de três prefeitos anteriores e você verá que essas pessoas só conhecem o atual. Então, qual a origem de tanto ódio? Qual a justificativa para comparar o único que conhecemos com os vários que nunca ouvimos falar? Foi aí que decidi fazer uma releitura do discurso sobre a servidão voluntária, de La Boétie, e lembrei-me (não sei o porquê) da famosa experiência dos macacos:

A cidade e os cinco macacos

Alguns cientistas puseram cinco macacos dentro de uma jaula e dentro dessa jaula havia um cacho de banana pendurado em uma corda e uma escada de baixo dele. Um macaco tenta subir para pegar banana, então, os cientistas acionam um computador e imediatamente todos os macacos são pulverizados com água gelada. Após um determinado tempo, outro macaco tenta subir para pegar uma banana e o resultado é o mesmo; todos os macacos levam um banho de água gelada. Em pouco tempo qualquer macaco que tenta subir na escada leva uma surra dos outros macacos.

Os cientistas trocam um macaco veterano por um novato e imediatamente esse tenta subir na escada, mas é impedido e surrado pelos veteranos. Ele tenta outras vezes, mas leva uma surra até que para de tentar. Os cientistas repetem o processo e trocam mais um veterano por um novato, que tenta subir na escada e é surrado, inclusive, pelo outro novato que havia sido inserido primeiro. O processo é repetido até que os cinco veteranos são substituídos por novatos. Nesse momento nenhum macaco sabe mais porque está surrando quem tenta subir na escada, já que nunca foram pulverizados com água gelada, e, mesmo assim, nenhum tenta chegar perto da escada. Por que não? “Porque, até onde eles sabem, é assim que as coisas sempre foram feitas por aqui”.

Essa é uma das explicações plausíveis para a atual realidade do município. É uma das explicações que temos para o fato de tantas pessoas jovens e crianças que não conhecem nada da história, das obras e das lutas, julgarem de forma tão leviana. “Não se preocupam mais em entender a opinião do outro, contentam-se em odia-la”, já dizia Nietzsche. E mesmo quando não é uma questão de opinião, mas sim de conhecimento histórico, ainda acham que há subjetividade no fato e continuam batendo em quem tentam subir na escada, mesmo que não saibam o motivo.

Assim como a experiência dos macacos, algumas pessoas não se perguntam o “por quê?” de estarem fazendo aquilo. Só sabem que é “porque, até onde eles sabem, é assim que as coisas sempre foram feitas por aqui”.

Por Pierre Logan

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