Espiral do silêncio

Publicado em 14/07/2014 | Da Redação do Panelaspernambuco.com
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A filósofa alemã, Elisabeth Noelle-Neumann, tem como sua maior contribuição para ciência política e para ciência da comunicação a obra: The Spiral of Silence (não sei se existe essa obra traduzida para o português). Ela explica os motivos que podem levar as pessoas, que têm determinadas ideias, a se calar diante de uma maioria que tem opinião contrária a sua. O medo do isolamento e o afastamento do convívio social é a mola propulsora dessa alternância cíclica e progressiva que Noelle-Neumann chamou de Espiral do silêncio.

Essa ideia, basicamente, é uma hipótese científica que diz que quando nossa opinião é minoritária, dentro de determinada esfera social, maior é a tendência de que ela não seja manifestada, ou seja, a voz dos discordantes quando é minoria (mesmo que correta) tem uma forte tendência a se calar. Exatamente o que vemos nas pesquisas de opinião pública e em “política de cidade do interior”.

Segundo essa teoria, há um tipo de isolamento do indivíduo no silêncio. Não é meramente um modo sofisticado de “Maria vai com as outras”. O modelo desse conceito baseia-se em três premissas simples: Intuição, medo do isolamento e autocensura.

Para entender como a mídia e a opinião pública agem para “silenciar” suas ideias é necessário entender três mecanismos simples: Acumulação; quando alguém, ou um grupo expõe você, em demasia, a determinado assunto e repetem a notícia (ou a mentira) quase que ininterruptamente; A consonância; que é aquela forma padronizada, ou semelhante com que a notícia (ou mentira) é criada e vinculada (vide perfil do facebook da prefeitura) e, por fim, a ubiquidade que nada mais é do que a presença da mídia em todos os lugares.

Teoricamente estamos indo bem, mas você deve estar se perguntando: E na prática? Nesse caso é ainda mais simples. Imagine você crescendo em um município onde todos falam bem de determinado sujeito que administra o local. Sua intuição diz que todos concordam com ele, mesmo que ele seja ridículo, tenha péssimas ideias e não consiga terminar nada do que começou. Você percebe que o indivíduo é uma anta disfarçada de ser humano e que não tem capacidade nem mesmo para ser hipócrita, pois acredita em todas as mentiras que diz. Percebendo isso, você tenta falar com seus pais, ou seus amigos (maioria dominante), não obstante, esses mandam você guardar isso para si, já que não quer que o papai seja demitido da prefeitura. Com medo do isolamento; você se autocensura.

Os estudos dessa teoria foram iniciados na década de 60, na Alemanha, durante a campanha política. A filósofa percebeu uma mudança súbita na opinião dos eleitores (parecida com a que vimos em Panelas em algumas eleições). Se você ler o artigo; “assassinamos o voto secreto”, saberá exatamente como começar a luta contra esse tipo de manipulação. Um pouco de coragem é sempre bem vinda, no entanto, será preciso bem mais do que ser corajoso e votar secretamente. Precisamos também ressuscitar a coragem de uma pequeníssima elite intelectual e iniciar o mais rápido possível um processo de resgate da cultura.

O único caminho que vejo para a mudança da atual e lamentável situação é a substituição da maioria dos governantes eleitos (talvez todos). Essa substituição seria alcançada, naturalmente após o aumento do nível intelectual da nossa população. Porque gente que pensa não vai reeleger esse bando de oportunistas puxa-saco.

Por Pierre Logan

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  1. Quando se pensa o contrário da maioria, você se sente sozinho, ou realmente fica sozinho. Interessante ver como o processo é realizado na prática e teoria, de algo que se percebe durante a vida. É uma luta constante ter o direito de pensar diferente. As vezes cansativo também.

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