Assassinamos o voto secreto

Publicado em 07/07/2014 | Por Guilherme Amarino (Editor)
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Diz o Caput do Art. 14, da nossa Constituição: “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei...”.

Sufrágio deriva do latim, sufragium (aprovação, apoio), é um direito público subjetivo de natureza política que o cidadão tem de eleger e participar da organização e da atividade do poder. O voto é o exercício do sufrágio. Consiste, portanto, na prática efetiva de um direito. Pronto; definimos nosso “objeto” de observação. Agora, mãos à obra!

As campanhas eleitorais já começaram (faz anos). Como já é de costume os agentes políticos de Panelas se manifestam apenas aos 45 (quarenta e cinco) minutos do segundo tempo. Não me refiro apenas aos que foram eleitos, mas também os que não foram e que agora são chamados de “lideranças”. Isso é o que podemos chamar de “liderança conveniente”.

Já discutimos anteriormente no artigo “Política: para você não ser um idiota” sobre a importância da política em nossas vidas e a necessidade de nos envolvermos nela, direta ou indiretamente. O problema é que quando falamos de envolvimento em política, algumas pessoas pensam em adotar um partido, colocar uma bandeirinha em sua casa, uma foto em sua parede, colocar o cd do partido para tocar em seu carro e etc. Como vocês podem perceber censurei a parte em que uns agridem os outros verbalmente - porque o nosso povo é pacato e bem educado (risos).

Em 1925 foi implantado pela primeira vez no Brasil o voto secreto. Foi instituído pela constituição de 1934. O voto secreto visa evitar coação, a pressão sobre o eleitor e também a compra de voto. Mas em nosso município temos o costume de nos expor e ir contra toda essa lógica de votar secretamente. Colocamos inclusive, adesivos no peito (muitas vezes nem somos nós que colocamos) para ir às urnas.

Hoje, nas cidades do interior, principalmente em Panelas, temos essa imitação do que chamavam de “voto de cabresto”. No coronelismo, ninguém votava em um candidato diferente do coronel porque o voto era aberto e as pessoas sofreriam as consequências. Atualmente podemos votar de modo secreto, mas ao invés disso, abrimos mão desse direito e abrimos nosso voto para que os “coronéis” saibam que votamos nos candidatos deles. Pois alegam que “os que não estão comigo, estão contra mim”.

Seguindo essa linha de raciocínio, surgem as questões: Será que o “curral eleitoral” é coisa do passado? Será que vale apena não fazer valer um dos poucos direitos que nós temos? Por que escolhemos um candidato sem escutar os dois lados primeiro? Por que não podemos frequentar livremente os comícios de um candidato diferente do nosso, sem ser humilhado pelas pessoas?

É interessante como a campanha eleitoral em Panelas tem sempre uma tendência beligerante. Costumamos botar a culpa nos políticos, mas talvez o problema esteja na forma com que vemos e fazemos o que erroneamente muitos chamam de democracia. O que quero provocar aqui é uma reflexão que traz a tona nossa fragilidade e carência de fazer aquilo que os filósofos pré-socráticos chamavam de “primeiro espanto”, que é basicamente o ato de se perguntar. Esse é o momento de pararmos de olhar e julgar o outro e começarmos a olhar e julgar nossos próprios hábitos. Como você age durante a campanha eleitoral?

A primeira vez que todos os cidadãos a partir de 16 anos puderam votar facultativa ou obrigatoriamente foi em 1989, ou seja, temos 25 aninhos de democracia formal. O que quero dizer é que somos jovens e ainda bastante inexperientes nesse sistema. E sabendo de tudo o que já foi feito, tanto sangue derramado pelas pessoas que vieram antes de nós. Tantas injustiças provocadas pelas pessoas ruins e permitidas por pessoas boas que se omitiram. Não podemos deixar que “coronéis” nos obriguem a colar cartazes nas paredes de nossas casas, com o rosto de pessoas que muitas vezes nunca chegamos a ver (pré-eleição ou pós-eleição).
Não devemos permitir nenhum cabresto em nossas vidas. Não podemos permitir que passem a vida sapateando na nossa cara e cuspindo em um direito que é nosso.

Temos o direito de não dizer em quem vamos votar! Temos o direito de manter as paredes de nossas casas limpas! Temos o direito de ouvir as propostas de cada candidato antes de tomar partido! Temos o direito de cobrar de quem foi eleito, tendo votado nele ou não! Temos direito de discordar! E temos a obrigação de respeitar a opinião do outro, pois nossa constituição permite a coexistência da pluralidade de opinião.

Por Pierre Logan

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