A oposição política em Panelas-PE e seus três patetas

A oposição e seus três patetas

Quando uma bomba não é uma bomba? Como fazer equações sem variáveis? Como falar que um amigo é traidor, covarde, incompetente e, ainda assim, não o ofender? Veremos. Quem acompanhou a entrevista do Deputado Estadual, Clodoaldo Magalhães (PSB), Vereador Mica (PP) e do ex-prefeito de Panelas, Dr. Fred (PDT) teve uma verdadeira aula de descompasso. Não havia o menor sinal de harmonia entre os três. A impressão que muitos ouvintes tiveram, inclusive eu, foi que um não ouvia o que os outros estavam dizendo. É o que o professor Luís Manoel chamou uma vez de: “O retrato de um improviso muito mal feito!”.

Sei que muitos leitores não ouviram a entrevista, apesar da grande audiência da emissora, então, vou fazer uma análise dos bons argumentos de uns e das fétidas oratórias de outros. Em outro momento o áudio da entrevista será postada no canal do youtube da R.C.P (Revolução Cultural Panelense) para que aqueles que sofrem da síndrome de São Tomé possam constatar que não pretendo “inventar” ou criticar de forma negativa nenhum dos entrevistados sem o seu devido merecimento (defendo a meritocracia).

Todos sabem e nunca neguei a ninguém que, em minha opinião, Fred foi um prefeito bem melhor que o atual. Se formos falar em capacidade entre esses dois teremos que utilizar a unidade de medida ly (anos-luz) ou pc (Parsec) para os mais exigentes. Não é nem um pouco complicado explicar a discrepância entre os níveis de linguagem dos dois, levando em consideração o pressuposto de que “não há espelho que reflita melhor a imagem de um homem do que suas palavras”. No entanto, Fred anda muito mal acompanhado e deve acatar o alvitre do nosso amigo Shakespeare: “a ignorância e a sabedoria se transmitem como doenças; daí a necessidade de escolher bem as companhias”. Vamos à entrevista.

No inicio já se notava que não havia pauta. O próprio apresentador do programa, Valderlins Santos, ao perceber a desorganização e a falta de simetria diz: “Eu vou chamar o intervalo e na volta, aí sim, agente vai saber e vai conferir [...] sobre o que agente conversa...”. Ao iniciar o segundo bloco Fred é o primeiro a falar e, segundo ele, “o amigo e fiel escudeiro, Mica” (palavras de Fred), ligou muito preocupado e disse: “Dr. Fred, como é que vai ser essa campanha política?”. Ou seja, um vereador eleito liga para uma pessoa que nem se candidatou na ultima eleição para perguntar como vai ser a campanha. Ótimo. Estamos muito bem representados. É nessa hora que me pergunto se a função de vereador enquanto agente político é mesmo elaborar, discutir e aprovar leis para a municipalidade. Será que os vereadores de hoje, além de fiscalizar o executivo, tem também a obrigação de ser cabo eleitoral e pedir conselhos a quem não teve sequer espaço na eleição passada?

É, nem tudo é o que parece. Fred termina seu discurso mais que repetitivo e libera o microfone para nosso querido Deputado, Clodoaldo Magalhães, que além de deixar claro seu histórico pelas vias mais estreitas do assistencialismo, diz que quem o “convocou” na eleição passada foi o ex-prefeito Fred (aos poucos vamos começando a entender). Continua ele: “E apesar de TODO MUNDO (o Deputado frisa bem essa parte) [...] todos os políticos me advertiam: Não vá, porque você vai ser traído”.

É impressionante como de uma hora para outra lourinho virou um terrorista regional, um traidor, um Judas, mas pior do que ter um dia de Judas é se esse dia for sábado de aleluia. A malhação de quem me parece ser o ex-líder da oposição não parou, pois o Deputado foi até a ultima parte da esfera Estadual para explicar que o ex-governador e atual candidato a presidente disse: “Vá, mas se prepare para ser traído”. -Pausa para respirar e completa- “A culpa não foi de Eduardo Campos, mas sim, de seu Lourinho. Eduardo não acreditava nele”. Seria Lourinho tão mau assim? Teria ele traído seu Deputado, seus amigos, seus eleitores e seu partido (ex-partido)? Não serei eu a julgar. Vamos ouvir o Mica.

Antes de ouvir o vereador das bombas é muito interessante lembrar que os tempos mudam, nossas células morrem, nossos namoros acabam, nossos animais de estimação morrem e assim como tudo o que “é sólido desmancha no ar” as amizades sólidas também se desmancham com o tempo. E não faz muito tempo que o vereador Mica pegou o microfone, na câmara de vereadores de Panelas, na convenção de Lourinho e disse para todos os que estavam presentes: “Para quem não sabe essa história não é de hoje. Eu entrei na política em 1996, junto com esse grande amigo Lourinho”. Longe de amizade por interesse. Mica simplesmente se desculpa com o Deputado por não saber do descrédito de “Lourinho lá em cima”. Depois de ligar para Fred (que malhou Lourinho), para o Deputado (que malhou Lourinho em dobro) o Mica deixa claro que “não está falando mal de Lourinho” (os dois amigos já fizeram por ele, imagino).

E assim acaba essa grande aula de desafinação: Ex-prefeito que pedindo voto para um Deputado só fala bem de seu próprio trabalho como prefeito. Um vereador que aparentemente não sabe como anda a política do município, nem quer falar mal de seu amigo e por isso se junta aos que falam mal dele para dizer que o mesmo é um traidor. Um Deputado que ajuda o município como pode, tem amigos, mas só firma compromisso por escrito porque os “de cima” sabem que o ex - líder da oposição, que era ex-candidato a prefeito, que foi ex - PT, ex - PSB e agora é ex - amigo do vereador que ligou para o Ex-prefeito que, por sua vez, afirmou que não tem obrigação porque não foi eleito, não é de confiança. Parece complicado, mas lendo pausadamente fica fácil de entender.

Concordo com Fred em alguns pontos. No começo desse texto deixei claro que sua gestão (quatro anos) foi muito além das minhas expectativas e valeu mais a pena do que a atual (dezesseis anos). Ele acertou em cheio quando disse que a Revolução Cultural Panelense está fazendo análises e verificando cada movimento dos que atuam no espaço político do município. Não importa mais como os políticos se organizam, mas sim os resultados que apresentam.

Respondendo as questões do primeiro parágrafo. 1° Uma bomba não é uma bomba, quando ela ao invés de explodir, implode e acaba fazendo com que os efeitos destrutivos recaiam sobre o agente. 2° Não é possível fazer equações sem as variáveis, pois o efeito dos resultados disso serão os mesmos da bomba que implode. 3° Se você quiser falar mal de um amigo sem ofender, ligue para terceiros e vá com eles até uma rádio local, deixe-os a vontade para dizer que esse amigo é um covarde traidor e em seguida pegue o microfone e diga que não é você que fala mal do amigo, mas concorda com tudo o que disseram sobre ele. Para finalizar, apesar de não ter o costume de dar conselhos sobre ciência política de modo gratuito, quero deixar um alvitre para o ex-prefeito Fred. Não sei quem o auxiliou na entrevista, mas: Demita seu assessor, urgente!

Por Pierre Logan


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